Heidegger disse que é no isolamento que o ser humano se revela na sua angústia mais autêntica. A solidão não é fuga, é enfrentamento, o mais seguro dos abismos. Nela o homem deixa de se (...)
Para onde vais vaga que o vento afaga?
Para onde escorre essa geometria de cinza alada?
Bocal de perfume esfacelado
A invocar a passagem dos dias
Função de planta transparente
A gravar-se (...)
Bailam nos meus olhos imagens vazias
Como coisas sem utilidade
Vazias...como fotos de vidas
Guardadas em rugas estafadas
Cidade de pedra e segredo
Degredo escondido num friso de tempo
(...)
Refluxo de tempo
Eco escondido a desafiar
A petrificação do delírio
Rito amargo de mendigo decadente
Profeta de fornalha
Sangue puro em brasa
Gota de febre a queimar as lágrimas
Pereg (...)
Pego com mãos de vidro
Nas flores que o vento borda
Gelosias de nevoeiro dissimulam as cores
Paradas na margem do rio
Um himalaia de paz branca...espessa
Cresce na órbita do silêncio
Assombran (...)
Tudo o que viera comigo
Esfacelou-se nas arestas dos dias
Quando partiste comecei a recordar
O que me invocava a tua passagem
Os nomes das plantas os meses
Os pássaros que apontávamos a dedo
Que (...)
Na pálpebra penetrante dorme o azul longínquo
Margem feita de um dialecto estranho
Como um hibisco de tempo a desafiar o vazio.
Na planície de vento pássaros escorrem pela poeira
Rot (...)
Opaco ser…refúgio de tempo
Dias escorrendo pela palma da mão
Vê como se ajoelham na árida pedra
Desejo de vento…miserável ventura
Planar sobre os icebergues
Abocanhar os grandes retratos (...)
Nunca te direi a frase que queres ouvir
Nunca te falarei desse país de esperas e de regatos
Nem dessa cidade onde morrem os olhares
Nunca te direi onde está o envelope
Onde guardei a palavra...
Olho para o outro lado de mim
Perco-me? Não!
Porque do outro lado de mim
Ainda posso ver este meu lado
Que agora está em outro lado.
Nunca conseguirei caminhar
Mais que os caminhos (...)