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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

A poeira alucinada da catástrofe

Por entre a poeira alucinada da catástrofe
Vi o embrião da agonia do ser
E o esbanjamento humano e terminante
Do discurso atolado num mar de contradições.
Impregnado de reminiscências em vias de desintegração
Com os alicerces carcomidos pelas teses filosóficas
Voltei-me transcendentemente para as estrelas
Esperando encontrar uma alucinação de imortalidade.
Faltou-me a concepção espacial do individuo,
E perante a certeza perene do findável
E de que não passaremos incólumes pela vida,
Descobri que não temo a tragédia.
Convoquei as adversidades pelo nome
Arremessei a minha dúvida sobre a terra
E devorei voluntariamente as ideias,
Depois expectorei os sobejos num delírio insano.

discurso tóxico

Disfarçados por um irradiante discurso tóxico
Expeditamente falam com afectadas mimicas
Enquanto nós...com uma sensação de nevoeiro
Embrenhados numa resignação imbecil
Não descortinamos a argúcia manhosa dos raposos
Vivendo apenas com a excelsa aspiração do ápice final.
Afrontando a vida como um infortúnio existêncial
Somos como mediadores erráticos de perplexidade
Pulpitando numa retórica indigente
Sobre a miséria e a penúria.
Vendados pela estatística da mentira
Vamos sobrevivendo assim até ao dia, em que,
Se finarem os homens crédulos
E como num vendaval de raiva impensada
Abandonem os seus latíbulos de ideias amolgadas
E com feroz arremesso soltem as suas velas
Feitas de miséria e desconsolo
E num ritual de sangue escorrente bebam a libertação
E estendendo o seu braço indicando uma nova direcção
Não mais se espojarão no gasto rumo da miséria
E ungidos e íntegros renascerão em igualdade....