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folhasdeluar

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Os pés que pisam são os que amam...

Assistindo impávido ao desenrolar dos dias
Percorri o caminho da morte...até me encontrar com a vida...
Viajei por estradas secundárias...comi o seu pó...
Caminhei descalço para que os meus pés falassem com a terra
Escutei aquela música ...que me ligava a ela
Eu pisava-a... e era aquele o abraço que lhe dava...
suprema ironia...os pés que pisam são os que amam...

Sendo os pobres maioritários no mundo porque é que não têm o poder?

Sendo os pobres maioritários no mundo porque é que não têm o poder? Porque a propaganda política e o marketing político induzem nas pessoas o sentimento de que os pobres sem os ricos morrem de fome e é manobrados por esse medo que as pessoas votam contra os seus interesses. O que é preciso fazer é quebrar essa barreira, arriscar, e colocar no poder pessoas que governem a favor dos pobres. Para isso não é preciso que acabem os ricos, mas é preciso taxar a riqueza, distribuir os rendimentos, e não ter medo das deslocalizações, cada empresa que se deslocalize deve ser proibida de vender os seus produtos no país, é preciso acabar com a optimização fiscal,(fraude fiscal), e diminuir o poder dos bancos. É preciso quebrar o dogma que temos que ser governados por quem defende os ricos, é preciso construir a sociedade da solidariedade e não a do individualismo. É preciso que os ricos compreendam que se os pobres tiverem mais dinheiro também os ricos beneficiam.

Paradoxos da política

Ora cá temos nós uma das perversões da chamada democracia, os partidos mais castigados vão formar governo, os partidos que perderam mais votos, vão formar governo, a esquerda maioritária vai estar submetida à direita minoritária. Por outro lado os partidos mais à  esquerda acusam o PS de traição se viabilizar o governo minoritário da direita, mas, não tiveram pejo em se aliar a essa direita para derrubar o governo minoritário de Sócrates, que apesar dos PEC`s era de esquerda .

Comporto-me como se carregasse um segredo fabuloso

Não me com misturo os sentimentos..
Nem perco tempo com sonhos impossíveis
Sou como um animal...vivo placidamente
Não me preocupo com Deus...não me condeno...
Subo á serra e vejo o horizonte
Falo com o pastor...acaricio o seu cão...como se fosse meu...


Eu não tenho cão...
Pego na rola caída do ninho e escondo-a nas giestas
Sei que os pais virão procurá-la...
Também sei que já sou demasiado velho para ser procurado
Por isso não me escondo...apareço...
Apareço mascarado de diabo simpático...
Como são todos os diados...
Não emito gemidos...
Não me doem as articulações quando me sento na pedra dura
Não olho para trás...
O meu pescoço insiste em olhar sempre para diante
Comporto-me como se carregasse um segredo fabuloso
Faço maldades ao meu corpo...castigo-o...sou carinhoso...
Por isso sou independente de mim...

Catamos opiniões estúpidas como pulgas nas pernas

O que é o que une a nossa vida ao túmulo?
O que é que eleva a nossa alma ao Céu?
Não são os dedos que riscam as palavras
Não são os pés que tropeçam e escorregam na merda
Não são os soluços que saem das frases feitas...
Não são os bancos de jardim.. donos dos velhos
Não é a harmonia do silêncio.
Não é saber que já muitos antes de nós experimentaram a eternidade
Não é saber que nos sentamos na vida
Como num baloiço que balança sempre para a frente...
Que nos misturamos como cães e gatos alvoroçados
Que catamos opiniões estúpidas como pulgas nas pernas
Que às vezes ficamos com a boca seca
Que o Saara já foi verde...
E que fugir de nada vale...pois não há para onde...
O que une a nossa vida ao túmulo..é aquilo que criamos...
É essa a estrada que nos leva lá...
É isso o que nos acompanha aos momentos finais...

Sou um homem como todos os homens

Sou um homem como todos os homens
Um homem raro como todos os homens
Vivo num manicómio em cujos corredores ecoam nobres ideais
Gritos e risos...tudo misturado...
Entrego corpo e alma às exigências do tempo
Não pergunto pelos vermes que comem os corpos
Nem pelos piolhos que infestam os mendigos
Mas estou com eles...sou mendigo como eles...
Mas os meus piolhos são outros...
Os meus piolhos são ideias que me infestam a alma
São cansaços...telhados com musgo...rituais satânicos...
São comportas fechadas nas marés cheias de lodo...
Peixes...carapaças de tartaruga...dramas...
Dedos que traçam regos no teu cabelo
Romances impróprios...leituras raras...enigmas insolúveis...
Emoções que doem na articulação dos dias
Máscaras venezianas...disfarces...
Mas estou sempre contigo...meu irmão sofredor...
Estou sempre ali meu pobre de espírito
Ali... ao pé de ti...à espera do Reino dos Céus...

Sou um ser imperfeito

Sou um ser imperfeito
Uma foto desfocada de mim
Mas enalteço o sol...
Tal como uma pedra...ou um ramo de árvore
Toco na minha pele amolecida pelos anos...
Cruzo os dedos e faço figas ao céu.
Tiro o chapéu às línguas primitivas
Prosto-me perante a música e Buda e Cristo e o vinho...
Tenho tantos anos que já não envelheço
Divido-me entre mim e o meu contrário
Misturo melodias com abraços
Adoro Deus e o Diabo
A verdade e a mentira...o que é a verdade e a mentira?
Tivessse eu sílabas excêntricas para falar
E diria que o nossa cabeça
É uma espécie de chapéu que esconde as nossas ideias
Um lugar onde as frases se misturam
Uma pauta onde se escreve a música assobiada pelo vento!

No Jardim do Paraíso era tudo branco

Sonhei que a minha alma corria ébria atrás de uma flor branca
Que tinha um explêndido corpo com voluptuosas coxas
Que no Jardim do Paraíso era tudo branco
A embriaguês era branca...as moscas eram brancas...
Os seios das mulheres eram brancos...
Os olhares lascivos eram brancos...
Mas o amor era de uma cor brilhante... inexplicável...
Que alumiava uma Afrodite...ardente de desejos …
Que me esperava numa cama enfeitada de plumas brancas...

Amparado nos braços do Mistério!

Quando a paisagem da alma me desceu ao rosto
Amparei o meu corpo de encontro ao mar
Enquanto os meus braços seguravam o horizonte
A língua era-me completamente desnecessária
Porque eu era o fim do dia...
Eu era o pensamento congelado...
Amparado nos braços do Mistério!