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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Um cavaleiro francês desconhecido...

Deslizo pelo dia como se fosse um gato taciturno
Escuto o ronronar ecoante da natureza
Como se a natureza tivesse perdido o seu instinto
E o procurasse no estrondo..
Com que morde os lábios desabrigados.
Os dias voam supérfluos e cegos de agonia...
Tenho como companheiras de viagem a loucura e a incerteza
Porque o meu bote é cego...os sentimentos fecundos...e o rio é perigoso
A minha justiça não é mais que infortúnio
E a minha agonia é a minha esperança...
Passo na rua e arranco as folhas às árvores
Depois lanço-as ao ar...para as ver cair... e estremeço...
Caem-me em cima... lentamente …
Como a alegria cai na fatalidade
Como o festim e a miséria caem na rua
Como o sangue cai na areia sufocada...
Sou um egoísta platónico...um louco que lança pragas...
Um infortúnio armado de lança e espada...
Um cavaleiro francês que passa... desconhecido...
Mas tu... não estás na janela de Mértola...

Odores que não decifro

Perante o inerte silêncio..desnudaste a tua Alma Grande...
Diante da grandiosa ânsia...mostraste que a tristeza é magnífica...
Mas daninha se não contiver em si...Beleza...
Por isso bebo do teu cálice...por isso sinto os teus sintomas
Por isso sinto e sou as tuas dores...
Mas é por isso que resisto a embaraçar-me em lianas desconhecidas
Porque a minha implosão em ti...é um bem precioso..
Por isso me calo....para que me tires o ar...
A mim ...que preciso respirar grandeza...
Como os campos precisam de espaço...
E também preciso respirar essa Alma Grande... desnudada...
Porque é grandeza que não tenho
Porque são palavras que não sei dizer...
Porque são odores que não decifro
Sim... não decifro... eu...que sou apenas um recluso acidental...
Algemado em sentimentos maiores..mas...
Que não pode ser maior...
Do que aquilo que alcança o seu saber.