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folhasdeluar

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E por cima de ti...mil paisagens..

E por cima de ti...mil paisagens...quando os abutres voam baixo...e os ergástulos se abrem...nada te pode impedir de voar...

 

Prometo-te...chegou a hora das vagas florirem

 


E da minha boca brotam fontes...


O mar prende-se nas folhas enlaçadas no tempo...


E o Outono..é um fio de seda que nos veste...


Prometo-te...chegou a hora das vagas florirem


E do céu opaco...emergirem tempos de amor!


 


 

Alentejo da minh`alma - os ciganos

11-06-2016 158.jpg


 


Filhos do vento emergindo na planície como uma linguagem intemporal


Sabem a fome... a seios ...a dores submersas...a liberdade


O hálito quente do alentejo acaricia-os como uma língua sussurrante


Vagueiam por entre sóis e nevoeiros..sabem os segredos dos trigais..das noites quentes


Fundem-se na planície como crianças dançando nos raios das estrelas...


Que ardem num céu sem fundo


Pássaros sem gaiola...mãos sem algemas...pairam sobre todas as ambições


Enquanto nós definhamos na ratoeira negra dos dias incendiados...


 

Escrevo como um sonhador.

Escrevo como um sonhador...e sonho como se escrevesse sobre uma indiferente manhã...e tudo são sonhos...palavras... manhãs...em que as palavras se espreguiçam nas folhas em branco.

Como o abraço de um presságio que corre na água dos cactos...


Adormecem-me as mãos...e não te posso tocar..pressinto-te apenas...


Sou a resplandecente abelha que voa em volta de ti...


Escavo-te com mãos inertes...perfumo o sono que finge dormir na seiva de cimento


E quero que o anoitecer se erga dentro de mim...que adormeça a meu lado...


Como o abraço de um presságio que corre na água dos cactos...


 


 

Flori como um floco de neve num jardim ferido...

 


Colho a maçã amadurecida na tua boca...trepo pela noite como um nome feliz


No peso das palavras que refulgem sobre o teu corpo..digo-te o que perdi...


Falo-te do sangue que escorreu das minhas veias...


Quando sozinho saltei para fora de mim


Mas vi nas aves um amanhecer...vi uma noite adormecida sobre a solidão incandescente


E flori como um floco de neve num jardim ferido...


E..como num desconhecimento de uma tarde onde enforcámos a ausência...


Voltaste...e eu sobrevivi ao Inverno dos teus lábios!


 

Das flores pendem fios de seda...


Das flores pendem fios de seda...aranhas enlaçadas na carne estrangulada


Cardos fiéis que juram cumprir promessas...como folhas de um tempo vestido de ausência


Tenho fome...vogo num espelho que não diz a verdade...


Adormeço embalado pelo suco das papoilas...chegou o tempo das fontes e das cordas...


Estrangulo a tua ausência com olhos vagos...nus...e...fiéis ao tempo onde o mar dorme...


Partimos numa negridão silenciosa...porque na fulgurante descida do tempo inerte...


O nosso corpo é o centro do mundo.... e o coração é um jorro de folhas outonais...


Que placidamente nos dizem que a lua floriu!


 


 

Prata... espuma...

 


Prata... espuma... soltam-se as amarras


emergem vozes do profundo verde enclausurado


mergulho sobre a imagem que nada na planície


e pergunto-te: onde se escuta o canto da margem que vive só?


e tu respondes:escuta-o na  claridade da mão que te afaga...


 


 


 


 

Viçosas primaveras

 


 


 


Pela fresta das jarras assomam viçosas primaveras


nos olhos das janelas perpetuam-se aves


caem flocos de verão cansado


e os sonhos falam-me de tardias almas-gémeas


 


Na espuma inventaste um coração azul-sangue


finges ser uma penugem nocturna


que adormeceu na sombra da mão que te acaricia


 


 

Dedo intemporal...

 


 


Rompe-se a corda que nos aponta o dedo intemporal


o Outono vem descascar-nos os olhos


é domingo..os pescadores retornam


da boca saem-nos papoilas que enfeitam luas


é tempo de deixar as folhas florirem...e os sorrisos arderem.


 


 


A madeira estala...a alma cria laços


desapertam-se sentimentos dentro de um tempo baço


e extinguem-se rios sonoros na maresia do arvoredo


 

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