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folhasdeluar

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Esqueci-me que o Inverno já passou

 


Esqueci-me que o Inverno já passou


Que a areia cobre o dia com leves cantos


Adormeço sobre azuis paisagens e nos recantos


Vejo o sol de um Abril que não findou


 


Vi-te em frente ao vento do delírio


As horas passam leves na tua graça


Ardem labaredas nesta praça


E a minha a voz treme sob o canto do martírio


 


A tua silhueta era de espuma e de areia


As águas a brilhar absorviam o meu além


Lá.. onde o teu corpo me seduz na bruma


És o sal...o canto... a calma..o mistério


A carícia da terra na caruma


És o chilreio da ave mais plebeia


Que procura no voo do seu vaivém


A paz do dia que rareia


E o tempo não esquece que o teu império


É o amor que volta pela mão de uma sereia


A encontrar-me junto a ti na tarde cheia


Onde eu sussurro:amor - e tu... também!


 

É preciso libertar as crianças da tortura que é a escola


É preciso libertar as crianças da tortura que é a escola. É preciso libertar as crianças da manápula do Ministério da Educação.Todos os Ministros da Educação deveriam OBRIGATORIAMENTE ler o Prof. Agostinho da Silva antes de assumirem o cargo. É preciso que as crianças venham aprender para a rua, que saiam da prisão que é a sala de aula, e que ao final do dia possam ter tempo para usufruir do tempo de ser criança. Hoje os alunos passam o dia na escola, estão fartos de escola, mas ainda assim a escola estende os seus tentáculos até casa, os pais em vez de gozar da companhia dos filhos,têm que os ajudar com os TPC`s, é absurdo que com tanto tempo de aulas ainda tenham que trabalhar em casa. A criança é bombardeada com um ensino desfasado do seu gosto e do seu interesse, um ensino que sacrifica o aluno e toda a família, e não acrescenta nada de realmente "palpável", ou seja, de prática de vida. O agrupamento de escolas de Palmela está a levar os alunos para a Serra da Arrábida, a fim de que tenham aulas práticas de Ciências da Natureza(penso que é assim que se chama disciplina), ora já no século passado o Prof. Agostinho da Silva, (apesar de dar aulas em Lisboa) levava os alunos para o campo e era para a Arrábida que ia. No caso da escola de Palmela, todos os alunos são unânimes em afirmar que assim aprendem mais e com mais interesse, isso já todos sabemos, porque as crianças precisam de ar, de falar, de experimentar, e não é no tédio da prisão que é a sala de aula que o podem fazer, nem é com sobrecargas de matéria que são motivados. Por estas razões é que os alunos espanhóis estão a fazer greve aos TPC`s , e com o apoio dos pais, força rapaziada o ensino tem que ser adequado aos vossos interesses.


 

Voo em espiral


 


Vi-te como se dentro da multidão


Não existissem ruínas


Nem pés nus encostados às paredes de pedra


O mar avança em passo vertical


Há receios no musgo que cobre os muros


Mas nós já partimos


Fomos avistados por medos..


Vagos medos compostos por flores roxas


Que nos acorrentam ao sossego do sono


As árvores também se despiram


Agora...o calor adere aos lagartos


E o nosso voo em espiral


É o grande plano da nossa paisagem interior.


 


 

Com o olhar vago de quem partiu.

Espantamos a madrugada que dorme


Na quietude do poejo...não cintilam pesadelos


A noite é de linho


Virá o outono que nos trará a amarelecimento da ternura


Onde o delicado lírio nos deslumbrará..


Tudo cabe na nossa miragem...o sal lunar desponta sobre a cómoda


O jardim aflige-se com o desejo das flores...


Rastos de luas insensíveis atravessam o mar


O arado é uma miragem a rasgar o coração...


Na terra feita de eternidades cintilantes


Inventaremos as nossas raízes comestíveis..


Delicados decotes erguem-se sob as bocas


Há um ciclo no ar...uma humidade que pressentimos no corpo


Breves passagens de cometas fascinam os desertos


As aves regressam no seu tempo cíclico...


Os insectos perseguem as flores dos goivos


E os desejos selvagens eclodem num tempo morno


As águas de Maio fazem inchar as sementes


Que nos atravessam como graníticas nuvens de mel


Fixando-se na memória das órbitas estelares


Como fontes de águas imaginadas...


No delicioso canto emancipado da baleia


Que cobre o musgo dos dias


Com o olhar vago de quem partiu.


 

Palavras com sabor a sonhos apagados.

Tenho ciúmes do horizonte e das ruínas onde escrevi o meu caminho


Lembro-me do meu fundo..daquele poço sem regresso onde a sombra acorda


Sou aquele sobreiro sobranceiro à planície dourada


E não quero ser comido pelos vermes que mergulham na terra


Tudo será como se navios feitos de luares abocanhassem os instantes da minha morte


A minha alma demolir-se-à em mim...caminharei pelo meu silêncio


Serei o meu deserto...


Não espero ninguém nem ninguém virá comigo


Serei o sem-regresso


O reflexo de um tempo a transbordar de almas


Poeira para os abutres estelares...vento que incendeia oásis


Branco voo de areia solitária...


A cintilação da lâmina sobre a alma imperturbável


A febre que tece a teia da aranha


Sob a latada de buganvílias vermelho-sangue


Avisto em mim as ruas solitárias...pracetas de lodo...fogos desordenados


Sonâmbula ...a claridade das horas desce a escada


A doce aurora deixa entrar o passado...é o agora


E um vento marinho escreve em mim...


Palavras com sabor a sonhos apagados.


 


 

Um outro segredo...

Fomos impelidos por esses jardins onde se consome o aroma das paixões


Perfumes de sentimentos oscilantes...felizes jardins suspensos


Sei que o amanhã se quebrará num róseo amanhecer


Sei que vestimos o fogo do girassol..atámos ao corpo o rio caudaloso


E descemos as matinais ardências na jangada feita com as horas


A cada passo erguemos os olhos ardentes


Percebemos que as estradas se cruzam com os limos dos lagos


Há que ver a rosácea acesa no rodopiante baile das estrelas


Só depois podemos erguer-nos no vácuo dos olhos fechados


Ou acordar todas as flores que esvoaçam no vazio


Límpidos como gelos cristalizados...


Passearemos tranquilos pelos bálsamos da sede


Onde os delírios dos espelhos arrefecidos por um outro olhar


Suportam o vazio de sermos apenas dois corpos


Irreparavelmente dois corpos...dentro de uma vontade de chorar


Como se a exuberante begónia nos olhasse de dentro de si


E nós fôssemos a fotografia do sonho


Dentro da ausência imersa na sombra de um abismo


Que se quebra junto à janela onde o cais aporta


E a vida segue nos barcos encalhados no lodo da margem...


Até nos assolar o desejo de uma outra ilha


De um outro segredo...


De um outro sonho que ecoa na vertiginosa miragem


Onde um arrepio desliza pela nossa alma..vibrando no prazer da noite.


 


 

Breviário XV

 


Um dia veremos que o tempo é como um berço onde embalámos as nossas esperanças


e que as tardes e manhãs em que acreditavamos..eram a memória da absoluta astúcia das horas... mas nessa altura já submersos no desengano... resta-nos a poesia da dor universal.


 

Abro as mãos

Abro as mãos..abandono a penumbra do sonho


Terei eu confundido a vida com os andrajos de outras emoções?


Tenho pena que as fotografias escondam os nossos sussurros


Sei que ouço a tua voz vogando em marés que chegam até nós


Cansa-me este vazio...este frio que se aconchega a mim


Como se fosse uma paixão exausta...ou o canto arrepiado do frio


Enenvoados dias que confundiram a ardência que ateou outro fogo


Um fogo que só existiu dentro de um murmúrio


Porque o mapa da nossa vida está vazio...não há rota para as recordações


Apenas um profundo sono ainda nos acorda.


 

Ensaio sobre a solidão


A solidão é este silêncio que nunca se apaga.O vento ecoando surdamente pela noite.


A luz nocturna a corroer a vida.Nada nos fala do passado...o passado é agora o seio meio escondido do silêncio. É errância da insónia arrastando-se pela casa. talvez se te escrevesse deitado sobre uma tempestade...talvez assim tu lembrasses da terra distante onde eu agora olho o mar. Mas há uma espera..uns olhos caídos sobre a noite...uma lua pesada sempre presente. Dizer que há mais países e mais sonhos..é amar outros portos... é desconhecer o lugar onde estamos. Olho as paredes brancas onde desenhei mãos abertas...sonho que nenhuma voz se ergue da linha da tua luz..nenhum som infinitamente minúsculo me acorda...desci ao asfalto da manhã...acordei deitado sobre a tua última carta.