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folhasdeluar

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Vivemos em constante angústia,

Vivemos em constante angústia, desconhecemos o futuro, ou pensamos que o desconhecemos e no entanto ele está bem presente, sem saber...sabemos exatamente o que virá.Aqueles de quem não gostamos morrerão, aqueles de que gostamos morrerão, nós próprios morreremos, nada é eterno. Da nossa passagem pela terra nada restará, é disso que temos medo, mas é disso que nos esquecemos, é disso que não nos lembramos quando nos deixamos levar pela fúria ou pela angústia... e não percebemos que somos tão frágeis que o mais pequeno abalo de vento nos leva para a eternidade...

 

Nas travessas do tecto ainda ardem flocos de amor..

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Nas travessas do tecto ainda ardem flocos de amor..

Esqueci os nomes que ébrios balbuciámos..esqueci-me dos rostos e das ruas

Fiquei indefeso perante o desafio da solidão

Certamente que nos amámos...mas será que foi assim tão fácil amar-te?

Será que foi assim tão fácil amares-me?

Nos nós dos meus dedos vejo todas as pedras que levantámos

Vejo todo o sal que a boca desfia..

Vejo o bronze do teu corpo a assomar pela blusa de seda

Mas o que vejo...

Não é mais que um sonho ...já vergado pela lembrança longínqua de ti...

 

A memória come os restos da infância...

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A memória come os restos da infância...

Um insecto volteia sob as gotas da chuva

Calo-me para ouvir os minúsculos gestos da ausência

Sob os meus dedos corre o tempo..a língua empalidece..esquece o som das palavras

Cantam os pássaros... que ardem nos dias límpidos...

E quando a chuva se acolhe à terra

Escuto o nome das ilhas...

E recolho com a memória os restos salgados do teu corpo...

 

Querem ser felizes? Estimem os vossos inimigos!

Querem ser felizes? Estimem os vossos inimigos!

Uma das melhores coisas que nos pode acontecer na vida é ter um inimigo, que seria de nós sem inimigos? O inimigo é viltal para o equilíbrio da nossa vida. Passo a enumerar as vantagens de ter inimigos:

Sem inimigos corremos o risco de nos esquecer dos problemas

Sem inimigos podemos perder a lembrança de como são bons os amigos

Sem inimigos não podemos rir dos problemas nem demonstrar amor aos amigos

Os inimigos ajudam-nos a suportar melhor os dias já que podemos sempre ter alguém a quem desancar, mesmo que seja mentalmente...

Com os inimigos não é preciso fingir que gostamos deles nem dizer-lhes como não são importantes para nós.

Com os inimigos não temos compromissos que não queremos cumprir

Não precisamos de tentar entender os inimigos

Também não temos que acreditar nos inimigos,nem perder tempo a pensar se estão a falar verdade

Enfim os inimigos fazem-nos ter atitudes positivas, sem eles o nosso mundo não seria igual.

Por tudo isso, estimem os vossos inimigos, e assim já têm um inimigo de estimação, é assim como ter um objecto ao qual de vez em quando damos alguma atenção...só para desabafar...

 

É tão curta a distância

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É tão curta a distância entre um gesto e um beijo

Será que nos perdemos quando rasgámos a fotografia esquecida?

Será que do nosso vazio inventaram flores vermelhas?

E que do nosso sangue despontaram sátiros?

Onde começaremos? Onde estaremos no fim despropositado dos dias?

Ardem-me os olhos e as palavras...um pássaro voa pela toalha da mesa

Restos de açúcar...são minúsculos despojos de esquecimento

Bebo a imagem vertiginosa do caos..sulco de sangue na bruma da tarde

Os pássaros espalham versos pelo entardecer...as paredes esvaziaram-se

A espuma dos barcos traça uma recta..irregular imagem de partidas

Na ausência das paredes..as fotos falam estranhas línguas

Límpidas..as dúvidas..são sirenes de navios a avistar o vazio de nós

Penso que a noite é cega...que é como um além que nos separa

Por dentro da vidraça o medo acumula-se...

A rua despede-se dos nossos passos empedrados

Enquanto nos jardins..os insectos colhem mel...

E a melancolia invade os poros das flores...

E nós..aqui estamos..como se não fôssemos ninguém....

 

 

Veremos o lento azul da luz..

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Ainda a terra se agarrava às minhas mãos..

E já sobre o meu corpo cavalgava o silêncio das salinas

Dos cascos do destino saía o amanhecer..

Era o fim dos lugares obesos com a poeira das horas

Talvez os dias sejam cítricos nascimentos..talvez se recostem nos leitos dos mares

Talvez procurem nos cadernos perdidos... as palavras doloridas de Éluard

E inventem nas insónias dos deuses...o cansaço que sentimos de esperar por nós

Veremos o lento azul da luz...o corpo irrevelado..feito patamar de outra existência

No desconhecido abriremos chagas..planícies..ilhas...

Então fecharemos os olhos...e imaginaremos corpos lindíssimos...geométricos

Cantos ambrosianos eclodirão nas cavernas...

Recordarão que o tempo não tem medida

E que a grande página que nos cerca os dias é feita de outra escrita...

De outro sinal...de outro trigo...

 

 

Somos como um colar de pérolas

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Somos como um colar de pérolas. As pérolas são os nossos actos unidos por um fio que é a vida. Os actos são o motivo do nosso sofrimento ou do nosso prazer. O grande desafio que nos é colocado é o de interpretar os actos, os nossos e os dos outros. Os actos não têm fim nem princípio, eles nada mais são do que as nossas acções. Pelos nossos actos fazemos sofrer os outros, por outro lado os actos dos outros fazem-nos sofrer. O que devemos questionar é se obtemos prazer por causar sofrimento aos outros, se isso nos trás alguma felicidade,no fundo todos sabemos que não, os nossos maus actos em nada contribuem para nos fazer felizes. E porque é que valorizamos os actos? Porque não percebemos que eles são apenas vácuo, não têm vida, não têm substância, não têm valor, são meros nadas. Quando percebermos que sofremos por motivos que não existem, temos o caminho aberto para a felicidade.

 

Nasceste com a fome de saber..

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Nasceste com a fome de saber..insaciável leveza de dizer... quero

Desconhecias o aço perturbador dos sonhos

Quantos sonhos pode uma criança suportar?

Quantos sonhos dormem nas sombras das estrelas?

Sabes que nunca quiseste ser perfeito..

Nunca tiveste pressa em tocar na delicadeza das pedras

Gostavas de andar descalço..de correr pelo pomar e fingir que eras uma ave

Não é por acaso que tropeçamos nos caminhos que nos levam longe

Não foi por acaso que as pontas das estrelas te picaram..

E que voaste nos cascos de um oceano longínquo...

Como voam todos aqueles que possuem a força e a beleza das crianças

Inventavas estranhas histórias de cowboys

Os índios eram os heróis..que seguiam os teus passos

Pegavas em leves espadas de madeira...e vencias o cinzento dos homens

Com o fulgor do teu corcel...

Nas tuas tropelias desmedidas sabias que irias vencer o mundo...

 

 

 

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