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folhasdeluar

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Sedento de tempo...

Largos prados se espraiam nos olhos verdes do espanto

Inacessíveis infinitos acotovelam-se nas esquinas das palavras

Luzes feitas de sombras...sombras feitas de eternos anseios

O galo anuncia a manhã e acaba a insatisfação da noite

Estridente luz...fino pano..flor de névoa

Combalidos sorrisos espreitam nos aquedutos da miragem

Lanças trespassam véus de seda..misteriosos como cápsulas de memórias

Mãos enjeitam mistérios..secos como granitos ao sol alado do deserto

É tarde..deslizo pelo vento..descubro a esfinge...sedento...

Sedento de tempo...

 

 

Há uma religião dentro de cada ser humano...

 

Há uma religião do Homem, a religião inicial, sem altares nem dogmas, uma religião que nasce no interior de cada Homem, e que não precisa de paramentos nem de rituais, uma religião feira apenas de crer na maravilhosa viagem que é a Vida.Depois há uma outra, feita de brilhantes paramentos e ritos, onde o homem se ajoelha perante o poder dos párocos, esta é uma religião exterior ao homem é apenas simbólica, pois no Homem permanece o poder de Ser, poder esse que nunca pode ser ofuscado pelo brilho dos altares nem pela exibição das riquezas...

 

Espero por ti

 

Espero por ti onde a chuva molhar a sombra dos caminhos

E o oceano sucumbir numa praia sem idade

Espero por ti onde a polpa da noite se quebrar de encontro às falésias

E a madrugada nascer do corpo dos fantasmas

Espero por ti onde a cravelha do amor esticar a corda dos afectos

E a doçura das medusas madrugar dentro dos meus olhos

Sim lá estarei...dentro dessa fuligem absorta

Dentro desse pranto retratado em línguas de vento

E tu virás..saindo de um poema de Zelda

Como uma viçosa nuvem...como uma íntima gaivota

A esvoaçar por dentro do meu corpo

Feito do tempo eterno dos barcos roucos...

 

Rasgada a página...aberta a veia

 

Rasgada a página...aberta a veia

Litoral submerso por ventos em flor

Descalços convés..sangue de areia....

Que jorra do fundo do mar interior

 

Em pleno levante meu tão grande porto

Cabelo solto ao vento que sopra em agosto

Sal de nudez...vulcão dedilhado

Por mãos de areia e vento orvalhado

 

Entrelaçado em música de fogo cunhada

Qual é a rota do sabre na mão?

Qual é o bosque que não tem retrato?

Se o fogo não chega..se a hora não vem

A estrada é soturna..a ruga é além

 

E se de repente houver um sinal

Se houver um vislumbre de saliva ou de fetos

Rebentou a bomba..caíram os tectos

Os homens agora falam... surdos dialectos

Caminham descalços pisando o seu sal

O chão é uma orquestra que vibra reflexos

De sóis negros..indiferentes...convexos

Como ilíquidas lágrimas que descem ao vale.

 

Eu quero que a bruma se rasgue em água

 

Eu quero que a bruma se rasgue em água

Que dos túmulos se ergam cadafalsos

E que dentro de cada vazio nasça um anfiteatro... de oráculos

 

Eu quero que em cada sentença se adense a noite

Quero esculpir o outono com céus baços

E habitar num poço de vento..sem espaços

 

Já fui poeta numa praia enregelada

Na deriva do mar aportei à Grécia

Misturei-me com Atenas... e com Tarso

Percorri sozinho a Estrada de Damasco

Ergui-me no meu turbante...feito de serapilheira...lasso

E com aroma de jasmim perfumei a luz da pedra

Depois...escondi-me na sombra...de um abraço!

 

 

Estreitos caminhos

 

Estreitos caminhos se cruzam na abissal doçura do nosso peito

Estranhas veredas perpassam pelos olhos ensonados dos mistérios

As águas confundem-se com o céu...

E o céu alaga-se com o brilho das águas confundidas

No espaço as fadas espalham estrelas pelas terras em fusão...

Misturam-nas com os olhos das crianças e despem-se nos lagos da ilusão

Enquanto errantes luas descansam nos braços inacabados dos desertos

Larga flui a Vida...flutuando na imaginação dos pássaros

Ao longe...o canto das nereides alimenta a alma dos que naufragam

E do profundo escuro nascem fachos de luzes extasiadas

Simples letras escapam-se da boca dos poetas

Como bandos de andorinhas a voar ao encontro dos sensíveis

Que sabem...que sentem...que o poeta é um ser feito de palavras verticais

Feitas de solenes pedras frias...que só descansam no lajedo dos cadernos...

 

 

 

Podes não gostar do que fazes...mas também podes fazer o que gostas

Muitas vezes encontro nas ruas e também nos blogs, pessoas a queixarem-se de que não são felizes com o que fazem, ou porque estudaram e não desempenham uma profissão condigna com as suas habilitações, ou por várias outras razões. Sabemos que quando não estamos bem o melhor é mudar, só que a realidade é quase sempre muito mais poderosa que as nossas razões. Então o que fazer? Passar a vida a dizer que somos infelizes? Não tentar mudar porque temos medo de não conseguir? Nada disso!!! O que é preciso é descobrir dentro de nós o que verdadeiramente gostamos, e pensar que o emprego que tanto detestamos é o lugar que nos dá o sustento, sustento esse que nos pode permitir fazer o que gostamos. Todo o ser humano é um ser criativo,é por isso que o dia-a-dia sempre igual manieta a criatividade, nós precisamos de usar as mãos, os sentidos, a inteligência, coisa que as tarefas rotineiras não permitem, porque quase sempre agimos em modo de piloto automático.Acho que todo ser humano é um artista em potência, cada um só tem que descobrir dentro de si qual a arte que gostava de praticar..música? teatro? bailado? pintura? escrita? Há imensas possibilidades para as pessoas se realizarem, não acredito que a realização venha de um emprego corriqueiro, um emprego 9 às 5, mas acredito que esse emprego pode permitir que as pessoas se realizem, afinal não é pela arte que se diz que as pessoas se libertam da lei da morte?

 

Existi como uma falha do Destino

Existi como uma falha do Destino e sem aviso lancei-me no corpo das estrelas

Busquei a companhia ingénua das serpentes...pisei charcos lamacentos

A Vida era um cristal abandonado na minha mão..a pedir luz..a sonhar com a luz

Subi os degraus imperfeitos das catedrais...falei das praias e das distâncias que levam ao mar

Depois procurei um tempo feito de água pura...uma colina de sol...

Procurei uma paisagem onde pudesse amortalhar todas ilhas..fechar os dias na raíz dos carvalhos

Ouve um rio que me disse que dentro dos bosques viviam Anjos na penumbra das lendas

Acreditei...um rio não mente...

Apenas corre no seu leito de fantásticos declives em direcção aos sonhos

E mesmo que eu tivesse a coragem de parar a sua corrente...ele ia diluir-se no meu corpo..levar-me

Por isso..gastos os risos..gastos os braços..gastos os planos...

Resta-me sentar...na beira inacabada de mim...e tirar este peso que me cobre os olhos...

Ver...a verdadeira vibração do fascínio...

Que uma ave despeja sobre o brilho das flores...

Que me cobrem as veias...

 

Histórias da América...#2

 

(continuação da história anterior)

Certo dia a mulher chega a Nova Iorque,(aquela mulher mexicana, linda,de pele suave como seda,de cor chocolate claro), trás tudo o que possui dentro do carro, vive no carro e quando lhe perguntam porque é que tem tantas coisas no automóvel, ela diz que se está a mudar. Como não podia deixar de ser, começa a procurar emprego, até que um dia depois da entrevista o empregador a acompanha ao carro, vê tanta coisa lá dentro e pergunta-lhe se vive no carro, ela responde que não, ele não acredita e pergunta-lhe como é que uma mulher linda como ela não arranja um tipo que lhe dê um tecto? Ela diz que não dorme com tipos só por causa de um tecto. O homem mete a mão ao bolso, tira trezentos dólares ,dá-lhos e diz-lhe que são para ela ir uma semana para um hotel, e para  fazer uma lista dos seus objectivos. Ela vai para um hotel que cobra à hora, faz uma lista onde entre outras coisas escreve: ser comediante, ter um programa de televisão, ter um filho do Leonardo DiCaprio... ao fim de três horas vem-se embora...hoje ela é comediante, tem um programa de televisão e só lhe falta o filho do DiCaPrio, mas parece que ele agora está livre..por isso....

 Nota:história verdadeira