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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Alma-sol

 

Alma-sol voraz

Alma-aurora esperança

Sente..se és capaz

De sentir a dança

 

Sente a estrada..a pátria

Sente a confiança

Alma-sol voraz

Alma-aurora esperança

Sente agora a dança

Sente se és capaz...

 

Pague primeiro e ganhe depois...o céu

Diz-se que para o homem ser feliz tem que se desligar de todas as coisas, de todos os sentimentos, de todos os vícios e de todos os prazeres, à semelhança dos Shadus. Diz-se que para o homem encontrar a felicidade tem que libertar o seu espírito, das coisas terrenas, mas se o homem de libertar de todas essas coisas, (que afinal fazem parte do mundo), com a esperança de vir a alcançar o céu, então para que lhe serve a vida na terra? Segundo os mesmos Shadus, a vida na terra serve para a purificação da alma e para isso o corpo do homem tem que sofrer para se poder libertar de todos os pecados...é assim como um género de pague primeiro e ganhe depois...o Céu...se o houver...

 

No rio somem-se todas as gotículas de vento

Distribuímos a vida como quem inveja a distância das manhãs

Chegamos ao fim da pele..chegamos à pureza extinta das mordaças

Doem-nos os sorrisos....somos o palco incendiado da vida

Mas há sempre um outro alicerce a despertar

Há sempre uma outra areia a infundir laivos de tempo insano

Há sempre uma outra dimensão de nós a espiar as locomotivas da noite

E depois as pedras..o sangue...as árvores...e as nossas débeis penas de cotovia

Que encontram no lusco-fusco das tardes..o caminho arenoso da solidão

Mesmo querendo conhecer o segredo onde desponta a nossa crucificação

No rio somem-se todas as gotículas de vento

A atmosfera invoca relíquias de luas crucificadas pela inveja lunar dos sonhos

Há ninhos de âncoras a despertar nos mares bravios

E as fendas nas rugas do vento...

Dizem que o tempo dos homens castrados foi uma heresia salpicadas de gumes

E se os ninhos das águias se abrirem em vértices de tempo

Se os fundos dos lagos enferrujarem como os palcos das comédias

Se a morte renascer em corpos cravejados de jasmim

É porque o olhar da água soltou uma sonora gargalhada

É porque a antecipação do fim se entornou pela saliva geométrica das casas

E a penumbra é um tapume de ninhos abraçados ao mar

E nós... somos a tragédia inarticulada das estátuas vazias.

 

A democracia e os Isaltinos

 

A eufemisticamente chamada "democracia" não pode permitir tudo, a eufemisticamente chamada "democracia" não pode ter como base o catolicismo, que tem como filosofia a absolvição dos "pecados".A democracia não pode aceitar que se passe uma esponja sobre a corrupção e que só porque o corrupto "pagou" com a prisão o seu erro, depois possa vir a ter a  oportunidade de voltar ao mesmo cargo. A democracia não deveria permitir que os Isaltinos deste país, condenados por corrupção no exercício de cargos públicos se pudessem voltar a candidatar não só a esses mesmos cargos, como a outro qualquer cargo público. É triste ver que as pessoas se esquecem que a corrupção também os prejudica, é triste ver que as pessoas não percebem que o corrupto prejudica o estado"que somos todos nós" e é ainda mais triste ver que os corruptos são premiados com o mesmo cargo que exerciam porque parece que para o eleitor quem é corrupto é um herói.

 

 

Qual é a realidade na aparência do mundo?

Qual é a realidade na aparência do mundo? Que mundo existe na aparência da realidade? Se vemos os sonhos, se vivemos os sonhos, então existe a irrealidade que somos capazes de ver e de sonhar. Sentimos os sonhos como sendo reais, sentimos os sonhos como sendo irreais, mas, somos sempre nós a sonhar, somos sempre nós a viver essa irrealidade que sonhamos. Somos então feitos de matérias irreais, porque mesmo sabendo que o sonho é irreal, ele é real quando o sonhamos, podemos até sonhar acordados, inventar sonhos e viagens, que se tornam reais durante esse tempo em que viajamos pela nossa mente, e porque o pensamento existe como algo que não se vê, e precisa do corpo para se tornar real, porque é pelo nosso corpo que passam todos os pensamentos, somos então espectadores de nós próprios, somos espectadores dos nossos sonhos e dos nossos pensamentos, coexistindo dentro de nós e connosco, um mundo real, feito de coisas irreais.

 

 

Ainda não nascemos..

O sol incide nos estames misteriosos do outono

Esvaziam-se segredos no cunho do mar

O escuro baloiça na areia...o vento treme com o sorriso das pedras

As raízes quebram-se no grito angustiado do pó

Todas as coisas se acendem perante a turbulência do medo

E há um grito exausto a acenar na discórdia das ruas

Há uma liberdade de ser ave vermelha..tatuada num corpo de centopeia

As casas sangram..as ruas soltam golfadas de solidão pelas pedras dos passeios

Gritamos como ontem...fugimos como amanhãs...

Rodamos a chave e desaparecemos na profundidade dos quartos

Dramáticos sonhos feitos de intensos arpões.... postam-se na vigília do silêncio

Um pouco das nossas mãos escorre pela música dos oceanos

Agarra as águas insatisfeitas...somos águas... insatisfeitas como penumbras

Isoladas como tranças na nostalgia dos olhos

E ainda não subimos todos os degraus

Ainda não secámos todas as fontes

Ainda não nascemos...para nós...

 

Nas fendas dos relógios

Nas fendas dos relógios pulsam bocados de medo

Chove na brancura das palavras...o musgo é a herança do inverno

Nas artérias do mar um pontão escolhe ser consolo de tragédias

Mais austero que os segredos enferrujados das noites

Mais urgente que o sabor amargo que contamina as almas vazias

Mais vivo que o vento polido que faz florir as pedras

É o tempo febril...suspenso no trapézio desequilibrado das tardes

E no ângulo oblíquo da consciência...o fogo... a seiva...a gratuitidade dos astros

Dizem-me que nas goteiras das casas a chuva eclode em imparáveis socalcos

Não há delito no vento nem na queda dos anjos

Não há novelos de águas distantes a cabrear pela antecipação dos corpos

E o horizonte inunda-se...inflama-se...acende-se num algar de lava desconsolada

Concerteza que verei no fundo alcandorado da noite...

O perdão das crisálidas por abrir

Concerteza que longe de mim...

O fundo dos risos estará coberto por farrapos de angústia

E no vento que sopra no voo das gaivotas...fala-me de manhãs vazias

Há cactos assombrados no paredão distante das penumbras

Há fios de prumo que traçam geometrias de sonho

Há o perdão a assomar no esboço apetecível do fogo

Há lirismos de lâminas a cortar o assombrado dos dias

Mas no impossível perdão das violetas...as ervas falam de floridas varandas

Onde fantásticos rios cortam os olhos do horizonte

E o ontem é como o amanhã..sempre a deslumbrar..sempre a ser mar...

Sempre a agitar a enigmática seda do amor...

 

Entre o Sono e o Sonho

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Ontem dia 30 de setembro foi lançada a antologia Entre O Sono e o Sonho,da qual faz parte um poema meu, mas não é para dizer que também fui escolhido para esta antologia que escrevo este post, o quero dizer é que leiam, leiam, leiam, poesia ou qualquer outro género, o que quero dizer é que em casa,  constituam entre vós, grupos de leitura, que depois de jantar,se desliguem de telemóveis, computadores, redes sociais, nem que seja por meia hora, e leiam junto com os vossos filhos algumas páginas de qualquer livro. O que quero dizer é que incentivem as crianças a ler, que lhes mostrem a beleza da viagem que é a leitura. Conheço muitas pessoas,(e não são iletradas, algumas com cursos superiores),que se pode contar pelos dedos das mãos os livros que leram, muitos dizem que não têm tempo, claro que não têm tempo, estão agarrados ao faceboock...é por isso que faço este post, para defender a leitura...leiam, viagem pelas palavras e verão que as redes sociais são um mero acessório..extemporâneo e sem significado perante a delícia que é a leitura...leiam

 

À Luisete

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A Luisete tem 83 anos, é pintora e poetisa(popular), e além disso apesar da nossa  discrepância de idades é minha amiga. A Luisete que tem poesia publicada, de vez em quando oferece-me um poema, e por curiosidade no sábado passado,( no dia em que um poema meu foi publicado na Antologia Entre o Sono e o Sonho), ofereceu-me este poema escrito com a sua bela caligrafia,(que agora publico); Saudade.

 

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