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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

Enquanto os pássaros debicam as estrelas

Vivemos rodeados por um mundo onde brilham límpidas lágrimas

As palavras devoram-nos...como arestas apodrecidas pela chuva

Máscaras imobilizam-se por detrás do azul da tua idade

E tu ficas ...só...na sofreguidão de seres caminho e sombra

Mordes a noite...atravessas o som aberto das aves

Há um romance em cada primavera...

Há um despertar de sombrias bocas aquáticas

E eu chamo-te cristal e tinta da minha alma

E desperto em cada grão de areia

Bebo o veneno que as aves me trazem...

Afogo-me em travessias de cavalos fosforescentes

Brinco com a noite que sai dos meus olhos...esqueço-me da tua fotografia

A geada escorre pelo meu peito...abre-me o olhar...despede-se do horizonte

Enquanto os pássaros debicam as estrelas

Que deslizam pela frescura do teu corpo...

 

 

Deixo a marca dos meus pés

Deixo a marca dos meus pés na orla dessa poalha cansada de ter fome de tempo

Acredito na cobardia dos sítios que os relógios esquecem

Sobretudo sei que há um pedaço de existência na ferida aberta no ventre da terra

E sei que toda a gente é uma estrada que não conduz a nenhum lugar

 

Insólitas aves revolteiam no branco fulgor das paisagens...

Resplandecentes frios dormitam na imanência farta das janelas

Há uma nova sombra a dormir no rosto cansado dos arvoredos

Um novo pensamento a cair de cada boca escancarada

E uma vaga selvagem que de mangas arregaçadas se atira sobre o êxtase do vento

 

Numa serena manhã que me separara dos problemas das pedras

Há um nevoeiro que se encontra comigo a cada esquina

Há um livro em cima de uma cadeira que já não o suporta

Há uma resignação que ronca aos pés do lume

Como um âmago de pura cortesia entalada numa palavra de lata

 

Vejo que o mar é azul e o sol um anjo cáustico...

O pensamento reside na profundidade dos dias como algo que se desvanece nos gestos do mar

Gostaria de espargir o meu corpo pela amnésia dos sulcos da terra

Gostaria de me derramar pelo timbre de uma flauta de fogo

E gostaria de cerrar os punhos quando me perco na ambiguidade das ilhas sulfúricas

E gostaria de dizer à memória que as folhas do inverno deixam marcas na pele.

Para sempre!

 

Os extratos bancários...

Caixa-de-Multibanco.jpg

 

Uma coisa que me irrita é ver as pessoas a tirarem extratos bancários nas caixas multibanco. As caixas oferecem a opção de ver o extrato no écran, mas as pessoas insistem em imprimir no papel, então é ver os recipientes colocados ao lado das caixas atafulhados com extratos que alguém tira, olha e deita fora. Faz-me confusão ver uma pessoa que pode consultar os seus movimentos no écran, a imprimir um extrato, olhar para ele de soslaio e atirá-lo para o cesto dos papéis, quando não é para o chão, porque muitas vezes os recipientes já estão cheios de ...extratos.Acho que o pessoal gosta que os outros conheçam o saldo das suas contas, ou então é para que alguém utilize o seu NIB para passar a fazer débitos directos através da sua conta...

 

O lado impossível do vento

Colo as letras com um conta-gotas de anémonas

Sepulto a brancura da noite numa praia distante

Leio nas folhas das algas o meu destino..o meu instante desconsolado

Das baías escorrem matizes pela superfície dos medos

Ergo-mo como o som que sopra do lado impossível do vento

Abro a janela..sacudo os pássaros que poisam nas flores

Pássaros pesados...pássaros que queimam as dobradiças dos olhos

Pássaros trespassados por queimaduras de estáticos perfumes

Tenho que quebrar as fragilidades da pedra que me separa do mundo

Tenho que descobrir as imperfeições macias do sono

Convenço-me que sou o arvoredo que embala o sonho desse mundo

Macias folhas florescem em mim..como rios que se quebram entre os dedos

Nascerei de novo..estátua velada..frágil...incompleta..

Como se me gastasse..devagar..devagar...devagar..