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folhasdeluar

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Onde existe um rio...

 

Onde existe um rio... vive uma margem curvada pelas águas

Onde vive um desejo há uma semente a crescer

Caminhamos pelo início das coisas como quem segue pelo nascimento de um rio

Somos perfeitos....mágicos... sentinelas de uma vida erigida em solo sagrado

Das sombras brotamos como lápides....as janelas ocultam as nossas mágoas irrefletidas

Somos segredos desfeitos...paredes partidas...

Dissimuladas em amáveis risos intemporais

Quem nos conhece não sabe que neste nosso exterior habita uma outra sede

Uma outra forma de desespero...inato...insano...inexorável...

Castigamos o nosso corpo em busca da nossa fonte da vida...

Disfarçados procuramos ser aquele que nunca seremos

Erigimos passados...abraçamos embaraços...manipulamos os risos e os ritmos dos dias

No fundo de nós...desvanecem-se sentimentos...nomes....causas...fedores

Somos ambíguos como os dias passados...resta-nos os gestos...as marcas...

E a amável humildade de percebermos que desgastamos os corpos...fracos...

Indefesos...perante a sonora gargalhada do tempo.

 

Pergunto-me...

Pergunto-me...

Se em mim nascesse a vontade de não ser mais que um pequeno e minúsculo silêncio

Se do meu corpo jorrassem constelações de velhas lendas sem sentido

E eu acreditasse que a vida é feita de impassíveis pedras astrais

Então...eu viveria como se tivesse um mar dentro dos meus olhos

E talvez até fosse capaz de dizer...

Como é que os rios talham esfinges no granito que dorme nas faldas das serras

Seria como se dentro de cada rocha me esperasse a eternidade

Mas eternidade que procuro vive numa outra idade...num outro tempo...

Porque agora sei....que essa eternidade...

Está nos teus olhos de água doce.

 

 

Os nossos actos...

No nosso relacionamento diário,sempre que praticamos um acto, bom ou mau, deixamos como que uma semente dentro dos outros. Essa semente pode ser de alegria, ou pode conter diversos sentimentos menos agradáveis, mas é sempre um pouco de nós que colocamos dentro da alma outros.

Acenar ao tempo.

Entre o caos e o tempo há um sinal

Uma neve que refulge em cada dia

Sob a nossa capa de terra original

Sob a nossa breve maresia

Levantamos a noite como um sol

Levantamos a noite como um dia.

 

Tudo em nós se acaba

Tudo em nós começa

Tudo se destapa

Em tudo se tropeça.

 

Amargo peso...amarga aurora

Lembrar que a noite escorre...

Pela vida fora.

 

Decerto somos mundos

Incertos somos pedras

Desertos somos séculos

Despertos somos fundos...

De lagos envoltos em sedas.

 

Pensar... serenamente ser...

Veladamente eternizar...o som do mundo...

Esquecer.

 

Começar já hoje a subir a solidão...

Trepar pela ilusão...

Colidir com a chuva e com o vento...

Acenar ao tempo

Sem mão...

 

 

Olhar em frente..

Olhar em frente...ver o que não se pode saber

Adivinhar o pouco que existe nas frestas das ruas

Tocar nas paisagens mais altas...correr.

 

É tão pouco um homem para tão grandes algemas

São tão pequenos os gestos para tão grandes silêncios

Seguir a direito...lentamente acordar o infinito

Morar onde a chuva adocica tudo o que se ama

Enquanto as pétalas das rosas ondulam mansamente na memória.

 

Atrás...a obscuridade das sombras

Em frente...os breves traços das paisagens

Tudo é...nesta densa estrada que corta a direito o coração

Gostaria de sentir o infinito a desenrolar-se sob os meus pés

Gostaria de nascer como uma criança deslumbrada

E sentir na carícia do sol...o peso esplêndido do tempo.

 

Assim...como há enganos em todos os reflexos da lua

Também o jugo das horas se despede dos terraços onde deposito...os cansaços

Também lá afogo o meu brando triunfo das tristezas

E existo como se distinguisse em mim...o primeiro passo

E o último rosto...

 

Se eu fosse dono de um restaurante,

Se eu fosse dono de um restaurante, colocava um aviso a informar que não seria permitido o uso de telemóveis. Em primeiro lugar para que ninguém, tivesse que assistir ao espectáculo deprimente de ver certas famílias agarradas ao telefone enquanto se esquecem de comunicarem entre si. Depois, para proteger do ridículo que é, muitas pessoas fotografarem, por exemplo, o vinho que estão a beber, colocarem a foto nas redes sociais e pensarem que estão a mostrar aos outros que bebem uma grande "pomada", quando quase sempre estão a beber vinho rasca.