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folhasdeluar

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O tempero da alma

As ruas estão ali. Os segredos estão ali. Apetece-me dizer tudo o que me vem à cabeça. Mas também me apetece ficar longe das palavras e ficar-me só pelos gestos. Tocar no amor. Apontar o dedo aos pássaros. Segurar o tempo como quem preserva uma verdade. Também posso falar da importância das horas que passo contigo. Posso até querer esquecer o que não sou capaz de dizer. Pouso o queixo na janela e não me importo com quem passa. Absorto...cristalizo o tempo. De dentro de mim saem inexplicáveis instantes. Imagens. Abro os lábios para tocar o equilíbrio do ar. E sentir o perfume que deixaste quando saíste. Sei que há um tempo e um tempero para tudo. Só não sei se há algo que desfaça dissolução... da alma.

Quem terá escrito isto?

A decadência de Portugal começou com a expulsão dos judeus,com a inquisição e o apartar dos jesuítas. A cultura, a ciência, a educação, a criatividade foram gravemente afectadas, o que gerou o desprezo pelo que é nosso e a submissão ao alheio. Hoje assistimos ao nivelamento por baixo, ao eclipse das elites,ao recuo da crítica, da exigência e da imaginação.

 

Hoje tudo é ligth, literatura,telenovelas, futebol,gastronomia,viagens tudo isto é servido como cultura como modernidade.***

*** Natália Correia...pois claro

O tempo de cada um

Entre o espaço e os olhos pulsam sombras cinzentas. Formas movem-se por dentro de uma redoma de vidro. Mas são pessoas ou objectos com nomes de pessoas. São claridades que nos chegam de um outro tempo. O tempo de cada um. O tempo de cada um é uma intercepção de almas. Um cruzamento de emoções. Um passo em falso. Um agir sobre o nada.

 

Ficamos surpreendidos pela natureza. Pelo fascinante trabalho dos pássaros. Pela interpretação das claridades. Pelo claro escuro de Vermeer. Criamos telas com o olhar. Inventamos tímidas palavras. Não temos jeito para o sossego. Nem paz para as sombras.

 

Entre uma primavera e outra a natureza nasce e morre e renasce. A nossa essência é feita de atropelos. A nossa tela é uma mancha desorganizada. A nossa obra...um surpreendente esquecimento.

 

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