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folhasdeluar

Poesia e outras palavras.

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Poesia e outras palavras.

A minha proposta de revisão da lei da greve.

Convivemos com uma lei da greve que data do PREC. Uma lei da greve desatualizada, descontextualizada e que ninguém percebe porque ainda vigora. Uma lei da greve que protege os grevistas e prejudica os outros portugueses que sem culpa alguma veem as suas vidas alteradas.

Por essas razões, eis aqui a minha proposta de revisão da lei da greve.

 

 

1 – nenhuma greve pode ser agendada por tempo indeterminado.

 

2 – é proibido fazer greve na Páscoa, Natal, fim-de ano, no “pico” das férias, antes e depois de um feriado e fim-de-semana.

 

3 – as greves devem ter um limite obrigatório de duração, por exemplo, 5 dias. No final desse tempo os grevistas têm que voltar ao trabalho.

 

4 – os grevistas só podem voltar a fazer greve passados 15 dias.

 

5 – os plenários, (que são outra forma encapotada de fazer greve), devem realizar-se depois do horário laboral ou ao fim-se-semana.

 

P.S. - se isto for inconstitucional, que se altera a constituição.

 

 

Os fragmentos dos dias.

Caminha a direito pela estreiteza das pessoas. Caminha a direito por dentro dessa tua noite gótica...onde brilham restos de fantasmas cristalinos. Aprende a sussurrar como quem escuta um pássaro. Ausenta-te de conspirações e sonha com um belo vinho. Não entres em pânico. A vida é um perfeito e fascinante teatro. É um sufoco de música. É um ultimato. E se falhares...lembra-te de te deslumbrares. De acreditares em ti. De sentires que és uma raiz. Um incrível devaneio. E que também podes ser uma conversa inconveniente. Um desabafo medonho. Uma fechadura. Agarra o teu papel. Descobre o teu talento. Perde-te na onírica dança da vida. Recita os versos de um poema estranho. Enquanto a lua...tropicalmente... te embala a suavidade do olhar...

 

Tu és o teu próprio hypomnemata. O teu próprio livro. A tua própria condição. Tu és o teu tesouro. Tens um ciclo. A tua cólera. O teu defeito. Tens o teu reino. A tua função. O teu descabimento. Combate as aflições do tempo. Desperta. Circula. Talha o teu sonho em pedra branca. Bebe a tua  seiva. Senta-te no teu mel. E não estranhes se os outros te virem...como quem não se preocupa com os fragmentos dos dias.

Se quiseres és capaz...

Se quiseres és capaz de pôr a vida num desejo. De detetar inflexões em arestas impossíveis. O teu tempo é o da safira. Brilhando num azul profundo. Corre. Ultrapassa o teu próprio rumo. E se alguém te perguntar pelas tuas humilhações...diz que nada tens a retribuir. Que toda a tua vida está nos teus passos. E a tua alma é um espesso manto. Uma catedral. E que devoras todos os jogos de palavras...como quem se quer ver livre de si. Trazes incrustações de tédio. O teu sorriso é uma preparação para a noite. O mundo muda. Tu mudas...e encolhes os ombros. Afinal...o que é a mudança? Quantas vezes tens que manter vivo para chegares a compreender-te? Quantas vezes pensaste pôr a tua vida num envelope e lançá-la ao vento? Quantas vezes rezaste a túmidos deuses? Cansados...de ti!

 

Olhas a vida com o espanto de uma brincadeira. Com o entusiasmo de um bêbado . Bates a portas erradas. Ameaças esconder-te no teu apocalipse. Sabes que o fim do mundo é já amanhã. E que o amanhã é um fim de tarde. Uma porta aberta ao medo. Um caminho em ziguezague. Não queres que te avaliem...nem tão pouco que te recitem guerras. Tens dentro de ti as claves da vida. Não usas anéis nem examinas memórias. Esticas o teu arco. Escreves o teu nome...e acertas no teu alvo. Como se fosses membro de uma família de cinzas. Que caem do céu...como lágrimas de pessoas felizes..

Sabedoria popular...

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Para se chegar a este local é preciso andar um bocado...como não há qualquer indicação para lá chegar, perguntei a uma pessoa da aldeia, porque é que não punham algum sinal ou tabuleta a indicar  qual o caminho a seguir. Veio a resposta cheia de sabedoria.

Sabe, é que quanto mais isto for conhecido, mais gente para cá vem e mais lixo faz...e depois somos nós que temos que limpar...

De facto ainda há muito desrespeito pela natureza e muita falta de civismo também...

 

Metálicos tempos...

Quando não há momentos nos momentos. Quando da terra se erguem os esquecimentos. As mãos aplaudem. E a respiração é tão grande como o chão. Se deslumbrados estamos por essa luz tão forte. Queremos mais e mais respiração. Queremos mais terra e mais sonho. Mais maré e mais lonjura. Queremos mais poemas e aprumo na navegação. Queremos convés e amanheceres. Queremos as lacunas da sorte. Que nos escapam...por entre as mãos.

 

Se amanhecemos opacos. E viscosas sombras se colam aos nossos olhos...é porque estamos prontos...para a nossa desconstrução. Usando as palavras como se fossem universos...só nossos. Como conchas claras. E como clarabóias por onde espreitam os silêncios. São frios os nossos tempos. São traições de flores injustas. São tubérculos descoloridos. São dilemas desfigurados. São a nossa degradação. E são a nossa fonte de... inspiração !

 

E se danças no vento quente. Se vens de longínquas grades. Se a água tem um som metálico. Deixa-te ficar...que as setas são duras. E o vento passa. E o teu bailado é um jardim...de tempo avesso. De metal extasiado.

Junta-te ao destino

Junta-te ao destino. Escolhe a tua direcção. Caminha sempre pelo lado em que saibas que podes cair. Pega num lápis. Desenha os contornos de um deserto. E cobre-o com as cores mais longas que consigas encontrar. Sobrevive à noite. Deixa que a suave curva da tarde se concretize em ti. Vê com olhos de existir. Pensa em exóticos brilhos. Em exóticos caminhos cobertos de cores encharcadas em sol. Repara. Na tua nódoa negra. Na brancura da tua parede. Na beleza colorida das borboletas. Tenta chegar ao teu espelho. Á tua escultura de gelo. Ao teu deus assimétrico. Imagina. No que farás quando não tiveres perguntas. Quando não tiveres hesitações. Quando a música te bater no peito como um sabre. Quando uma sonata te levar ao espantoso sonho. Quando sentires um piano dentro de ti. E a gramática te perguntar qual a palavra certa para dizeres o que sentes. Aperfeiçoa-te. Deixa que entre ti e Beethoven não nasçam fronteiras. Que entre ti a a fantasia não se fechem portas. E mesmo que as tuas perguntas não obtenham respostas...comove-te!

Alma inteira...

Temos arrependimentos. Fugimos às conversas. Monologamos com invisíveis dores. Fazemos prolongados silêncios. E sentimos que estamos sempre perto de saber ou de perder alguma coisa. São demasiados murmúrios para tão curta vida. São desvios. Que nos conduzem a implícitas paródias. E até...muitas vezes...à febre de um tempo misterioso.

 

E as pedras? Esses minúsculos choros com que construímos a dor. Estão connosco. São humildes derrotas. São contemplações. São convencimentos. São sobrolhos franzidos e dragões furiosos. São nós no estômago e espasmos de silêncio. Mas são sempre pedras. Duras. Duras como duro tem de ser... quem começa a vida.

 

 

Invisíveis são os caminhos. Desencantadas as pessoas. Estranha é a inestética inércia da compreensão. Alma de argonauta. Nobre vontade de querer. A vida é um formulário que é preciso preencher. A ânsia é um cuidado que é preciso entender. E podemos estar alheios. Ser imparciais. Normalizar a lucidez. Fechar os olhos a todas as épocas. Entender as distâncias. Não ter distâncias. Saber que o tempo é um gesto imaterial. Um corpo frio. Uma alma de animal. O tempo é uma cidade. Um passo. Um canto de ribeira. E é a alma...completa...toda inteira.

É a vida!

Não há cansaço. Não há agosto nem presente. Há apenas uma pegada transparente. Um irremediável descampado omnipresente. Um irreprimível sentimento de tarde inalcançada. Nas mãos nascem granadas e crescem medos. Num inexplicável assombro de segredos. E os homens caminham em penedos. Os homens afogam-se em céus e em lajedos. Os homens abrem os seus peitos. Cavalgam ilusões e tombam em regaços. A alma dilata-se em estranhos compassos. A luz adeja em nocturnos dormitórios de almas decepadas. Tudo é diferente. Todas as recordações são nadas. E mesmo o súbito choro de uma flor vencida. É um compasso de espera...é a vida!