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folhasdeluar

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Usar a máscara... em que condições?

Apesar de me ter retirado dos blogs durante algum tempo, ao ler este artigo;"As pessoas saudáveis apenas precisam de usar máscara quando estiverem a tomar conta de alguém infetado ou com suspeita de infeção pelo novo coronavírus", adverte um artigo publicado no site da revista Prevenir",não posso deixar de aqui vir dar a minha opinião.

1- se a máscara protege de alguém infectado ou com suspeita de infecção, também protege no caso de não sabermos se alguém está ou não infectado.

2- o contágio acontece precisamente quando contactamos com alguém infectado. Acontece que nunca sabemos quem está ou não infectado. Logo o que devemos fazer TODOS é usar a máscara como forma de primeira prevenção.

3 - conclusão: o artigo é em si uma contradição; se devemos usar a máscara para prevenir contra quem sabemos que está infectado, também devemos usá-la como forma de prevenção  contra  quem NÃO SABEMOS SE ESTÁ OU NÃO COM A INFECÇÃO.

O pânico e o açambarcamento...

O pânico torna as pessoas irracionais. Não me parece que o apelo da DGS à contenção ao açambarcamento dos bens essenciais possa resultar. Antes me parece que o governo, ou os próprios supermercados, (aqueles que não sucumbirem à ganância) , deveriam impôr limites às quantidades que cada pessoa pode adquirir. O facto é que esta crise é temporária. Não há necessidade de entrar em medos absurdos, temendo pela falta de bens de consumo, ainda que estes sejam do sector alimentar. O que faz com que as prateleiras fiquem vazias, não é só a irracionalidade. É o egoísmo. Se todos comprarmos o que habitualmente compramos, não haverá falta de nada. Todos podemos fazer a nossa rotina diária. Sem necessidade de açambarcamentos. E sem falta de qualquer produto.

Sementes

De onde vêm os rios...que atamos ao nosso corpo com uma corda feita de anjos?

Que nos penetram num tempo sem sono...

Um tempo recolhido num silêncio que devora a eternidade

Orgulhosos dormimos como criaturas celestiais...

Morando num sol estilhaçado por sonhos

E acordamos numa terra que nos alimenta o nome...que nos dá um corpo...

Que nos abocanha a carne...que nos diz que é já ali o sol-pôr...

Ah...minha aldeia feita de estrelas indistintas...vidas sem nome e almas sem corpo...

Dormindo no sussurro do silêncio maravilhado pelas gotas de água

Que escorre...dos nossos olhos líquidos...

Firmamento da semente que nos produziu...

Bem maior é a luz onde todos os sóis se escondem...e todos os pés pisam...

Ah... celestial dia em que dormimos sobre a resposta...como Pais da Vida...

Atravessada por riachos feitos de golpes e cicatrizes...cordas onde nos seguramos...

Aguardando a penumbra alucinante da eternidade...

Ou os segredos escondidos...

Que revelam os corpos onde depositámos sementes.

Mar sereno

Desce o futuro...esse café que bebemos como uma coisa vazia

Esse coração que nos toca na inexistência dos olhos

Esse ciúme agitado que mancha a poeira...

Que faz sombra à vermelhidão da face

Sorriremos como vácuos caminhando pela solidão do ventre

Seremos espaço e terra desperdiçada em corpo e alma

Seremos qualquer coisa...rostos manchados pelo breve sorriso da aparência

Lívidos como o espaço onde voam corvos...

Seremos os filhos de todos os sentires

Sem pais nem olhos que nos vejam...

Apenas...corpos vivos...ruínas de crianças em total agitação

Barcos...onde nos sentimos reis ondulantes

Em breve perderemos a voluptuosidade dos dias

O cantar das aves...a voz das constelações

E apenas por instantes...por breves instantes...

Teremos a aparência serena do mar...

Vela branca

Coloquei uma vela branca sobre o meu corpo

E vou boiando na deriva desse barco que sou eu

Navego sobre os sobressaltos e as serras...o ar puro invade-me

Salto sobre fogueiras...que espicaço com as minhas esporas

Tenho a chave giratória do meu... paraíso...

Acompanha-me o brilho da minha cidade...interior...

Chego-me ao rio e...

Sorvo os soluços das gaivotas...que transformo dias brilhantes...ofuscantes...

Ergo a Vida pelos colarinhos e segredo-lhe palavras de Amor...

Expludo em curiosidade pelos maquinismos que me regem

E desdobro-me em brilhos rosáceos...

Sou a criança leve...inocente...que se pareceu comigo...

Mas que habita noutra penumbra...

As penas do amor...

Quando passo e vejo um punhal cravado no olhar de quem se cruza comigo

E me parece que há um vazio de desencontros nos passos de quem me segue

Ergo a cabeça e estalo os dedos da tarde

Sigo...como quem persegue o ponto mais inusitado da vida

Sei que lá mais ao longe..uma espuma de rosas perfuma a noite

Que me espera...sempre mais além...de mim...

E de todas as coisas que esqueço...

 

Se um dia uma música eclodir nas asas de uma gaivota

Se a minha cabeça se transformar numa paisagem árida

Então...construírei o silêncio mais belo

Construírei o meu próprio poente

Com todas as penas do amor...

Que tiver à mão.

O tempo não é dinheiro

Olhamos para o tempo não como algo de que podemos usufruir, mas como um “coisa”, assim, perdemos tempo, gastamos tempo, desperdiçamos tempo, ganhamos tempo,no entanto o tempo não existe como coisa palpável, então como é que nos afastámos do verdadeiro tempo? Como é que nos deixámos escravizar pelo tempo? Porque se criou a ilusão de que temos que trabalhar sempre mais, produzir sempre mais, ter sempre mais, ainda que nos falte o que não custa dinheiro....o tempo.

 

Pássaro ferido..

E o tempo varreu a memória da praia solitária

O tempo amontou uma espera de tardes

Mas veio a chuva...e tu...

Foste a vespertina emoção que ficou colada à tua ausência.

 

Todos querem guardar em si o florido sorriso da tarde

Esse sorriso de céu sem nuvens a anunciar poemas...

 

Neste horizonte que escorre para dentro da minha alma

Vivem os prados inacessíveis do tempo

Vive a terra e a sua órbita

Vivem todas as coisas que me comovem...

 

Se um dia me cruzar com um pátio de sombras

Hei-de dizer-lhe que renasço em cada afecto

E que mesmo que a chuva me ameace com as lágrimas do dia

Hei-de dizer-lhe que ali estou...

Como se vivesse no regaço de um pássaro ferido...

Só é importante viver!

A vida é absurda? Devemos então vivê-la alegres. Devemos matar em nós todo o sentimento de tristeza, porque é muito mais absurdo vivê-la de forma triste. A palavra que todos os dias devemos utilizar é: desfrutar! Desfrutar de tudo o que o dia nos trás, desfrutar das chatices, rir-mo-nos delas como se fossem piadas contadas pelo destino. Devemos atingir uma espécie de nirvana que nos trará um estado de alma em que nada importa e tudo é alegria. Afinal a vida é isso mesmo. Nada Importa. Só é importante viver!

Na margem das palavras

I

Era apenas poeira intemporal a escoar-se por entre os meus dedos

Desprendi as mãos...deixei os meus passos afagar os caminhos

E na largura baça do encanto segui um coração que flutuava no verde dos limos

Mas havia tanta distância entre mim e esse lugar

Que me apaguei numa seara sem respostas

Onde apenas havia um claro gesto...de embalar!

II

Que fazer quando tudo se oculta?

Que palavra semear?

Ave tolhida no empedrado dos dias

Alisando paisagens...comendo maresias...

E as nuvens que passam...são teias que buscam o homem...

Aquele que vive na margem das palavras.