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folhasdeluar

Poesia

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A vida e a forma dos sentimentos

Será por se chamarem sentimentos, que embora invisíveis, os podemos realmente sentir? E podemos senti-los de diversas maneiras, por exemplo; quando entramos em algum lugar pela primeira vez podemos sentir os ambientes pesados, os ambientes alegres, a estranheza, nossa e dos outros...é que os sentimentos andam no ar, são como a luz ou o frio, aquecem-nos ou fazem-nos arrepiar.E que dizer daqueles sentimentos que adivinhamos no outro? Que dizer daquela emanação da alma que nos sai pelo olhar? Por vezes o olhar é o emissário dos sentimentos. E também o é a voz. Quem nunca sentiu arrepios (sentimentos) ao ouvir determinada voz? Quem nunca absorveu sentimentos em palavras escritas...sim, as palavras também são emissárias de sentimentos. Transportam-nos e levam-nos até aos outros. Por tudo isto acho que os sentimentos não são etéreos, têm vida e uma forma que talvez um dia a Física Quântica possa explicar...

Recomeço...

Chegam as flores que engrandecem as cerejeiras

A terra une-se ao rumorejo das plantas..o ar corre..junta-se aos corpos..agita as águas

Vêm até nós passos de ondas..as sombras acompanham a viagem das nuvens

O ar é livre..o sol acentua a pulsação dos frágeis bosques...

Há um regresso...um incendiar de certezas...um tecer de noite abafado pela paixão

Mas o vento perde-se nas frestas...junca as paredes caiadas

As flores de amendoeira entornam-se pelas colinas..e chega a hora do crepúsculo

O sol cresce...a hera despede-se dos raios fogosos..os caminhos abrem-se..

Florescem penumbras

As flores respiram pelas asas negras das andorinhas...

A chuva é um graça que desce do céu

Empoleira-se nos beirais..passa rente aos rouxinóis..floresce nos jardins

O musgo apressa-se a cobrir os muros...galopam cavalos pelos baixios

A vida amaina..amanhã recomeço a viver...

Pandemias que assolaram o mundo – A Pneumónica #2

Na continuação das pandemias que assolaram o mundo, hoje vou falar sobre a que ficou impropriamente conhecida como gripe espanhola.

 

A epidemia de pneumónica coincidiu com o fim da Primeira Guerra Mundial – e foi muito mais mortífera que a própria guerra em todas as frentes. Enquanto o conflito matou cerca de 23 milhões de pessoas, a pneumónica matou cerca de 50 milhões. […] a causa da morte de tantas pessoas era, curiosamente, as chamadas tempestades citocinas, que é uma reacção do sistema imunitário para combater o vírus. Decorrente desta reacção as vítimas afogavam-se nos fluidos que os pulmões segregavam para combater o vírus.

 

Apesar do nome de “gripe espanhola”, a Espanha não tem qualquer relação com a origem da doença: esta veio dos Estados Unidos e foram os soldados americanos que a espalharam pelos quartéis e campos de batalha da Europa.

 

O vírus que causou a pneumónica foi o mesmo que surgiu em 2009 o (H1N1). Este vírus revelou-se pela primeira vez no estado americano do Kansas, em janeiro de 1918. no dia 4 de março desse ano, o cozinheiro Albert Gitchel do quartel de Fort Rylei, adoeceu. Poucos dias depois. Mais de 500 soldados daquela unidade estavam infectados. […] os primeiros casos em Portugal verificaram-se em maio de 1918, nesse mesmo mês foram detetados casos em Espanha e Grécia. Em junho foram a Dinamarca e a Noruega. Em agosto Holanda e Suécia. E também na Serra Leoa em África. Nesta altura foi declarada a pandemia. A gripe espalhara-se por todo o mundo.

 

Em 1920 a gripe chegou ao Ártico e às ilhas do Pacifico. Foram infectadas 500 milhões de pessoas – mais de um terço da população mundial. […] a pneumónica matou cerca de 3 por cento da população mundial e foi descrita como “ o maior holocausto médico da história”, pensa-se que pode ter morto mais gente que a peste negra.

 

No outono de 1918 surgiu uma segunda vaga da doença, resultado de uma mutação do vírus, que se revelou ainda mais mortífera e grassou até janeiro de 1919. Seguiu-se ainda uma terceira vaga a partir de fevereiro desse ano e até 1920 foram identificadas pessoas com a doença.

 

A pneumónica vitimou entre outros, o pintor Amadeo de Souza-Cardoso e os pastorinhos Francisco Marto em 1919 com 10 anos e a sua irmã Jacinta em 1920 com 9 anos. ***

 

******* Baseado no livro de João Ferreira - Histórias Bizarras de um Mundo Absurdo

Pandemias que assolaram o mundo – A Peste Negra #1

Podemos agradecer aos vírus e às pandemias o facto de ainda não termos destruído o planeta. São de facto que ao longo dos séculos, quem tem contribuído para o controle da população mundial.

 

Hoje vou iniciar uma série de textos sobre as maiores pandemias que assolaram o mundo.

 

Pandemias que assolaram o mundo –A Peste Negra

 

O cronista do Papa Clemente VI conta: “ No ano do senhor de 1348 aconteceu em quase toda a superfície do globo uma tal mortandade que raramente se tinha conhecido semelhante. Os vivos quase não conseguiam enterrar os mortos, ou os evitavam com horror. […] Muitos ainda, que contraíram esta doença e dos quais se acreditava que morreriam imediatamente sobre o chão, foram transportados até à fossa de inumação,e assim, muitos foram enterrados vivos. […} o medo integrou-se na mentalidade colectiva, deu origem a fenómenos sociais e religiosos, como as procissões de penitente flagelantes e inspiraram obras de arte marcadas pelo macabro. O Sétimo Selo de Ingmar Bergman, mostra como o medo da morte dominava o quotidiano dos europeus no tempo da peste.

 

No século XIV a Europa esta infestada pelo rato preto. Os ratos preto extremamente sensíveis à Yersinia pestis, contaminaram através do sangue , as pulgas que os parasitavam e que depois transmitiam através da sua picada aos humanos. […] a peste bubónica matava cerca de 60 a 90 por cento das pessoas cinco a dez dias após a contaminação. No entanto havia mais duas variações da peste. A peste pulmonar e a peste septicémica. A septicémica era a mais fulminante , morte cerca de três a quatro horas após a contaminação. A pulmonar a mais devastadora, porque o seu contágio era feito através do ar. Após dois a três dias de incubação não havia a mais pequena esperança para a vítima.

 

Hoje sabe-se que a epidemia já grassava na China em 1331 e até 1393 reduziu a população chinesa de 125 para 90 milhões de pessoas. Da China seguindo as rotas comercias, chegou a Samarcana,( Uzbequistão) em1338 e em 1346 chegou ao Mar Negro.

 

Foi na feitoria genovesa de Caffa,( actual Feodossia, na Ucrânia), que ocorreu a primeira utilização documentada de armas biológicas da História. Em 1345-1346, a cidade estava cercada pelo mongóis devido a um conflito comercial com os genoveses. Quando o exército mongol foi atacado pela peste e deixou de ter forças para manter o cerco, os comandantes decidiram atirar os cadáveres dos seus soldados, por cima das muralhas para contaminar os seus defensores.

 

As galés de Génova levam a peste de Caffa para a feitoria de Pera (actual Beyoglu), às portas de Constantinopla,(hoje Istambul). […] A peste espalhou-se pelas margens do Mar Negro e do Mediterrâneo. E infectou o Egipto, Síria, Palestina, Líbano., Chipre Creta, as ilhas do mar Egeu e chegou à Grécia. Em 1347 a peste já estava em França, chegou depois a Portugal em 1348 onde dizimou entre um terço e metade da população portuguesa. Reinava então em Portugal D. Afonso IV. Logo no verão de 1349 o rei enviou uma circular régia a todos os concelhos para fazer frente ao abandono dos campos, à migração para as cidades, ao aumento dos preços, à vadiagem,à mendicidade e ao crime.

 

 

Houve depois vários surtos de peste bubónica em Portugal, um desses ocorreu em 1384 e salvou Lisboa, de ficar nas mãos do rei Juan I de Castela. Este tinha invadido Portugal para fazer valer os direitos de sua mulher D. Beatriz filha e herdeira do rei D. Fernando. A defesa da independência nacional era encabelada pelo Mestre de Avis,( futuro D. João I). os portugueses resistiam com dificuldade ao cerco, até que, (conta o cronista Fernão Lopes) “começou de se atear a peste tão bravamente neles, tanto por mar como por terra, que dia havia em que morriam cento e cinquenta e duzentos, de modo que o mais do dia estavam os do acampamento ocupados em enterrar os seus mortos.[...] Nisto deram dois inchaços à rainha, por cuja causa determinou el-rei partir-se logo do cerco”. ****

 

E foi assim a peste negra que começou onde? Na China.

 

**** Baseado no livro de João Ferreira - Histórias Bizarras de um Mundo Absurdo

Carne em chamas...

Não digas nada...deixa falar o silêncio...

Deixa que a distância seja o cruel fogo que queima o coração

E que a mudez seja essa distância que flameja pelo espaço

Como uma máscara desesperada....clara e sem forma

Anunciando esperanças vãs...

Gritadas pelo fogo negro...

Que se liberta da minha carne em chamas...

 

Uma história de antes de Abril

Estávamos em 1966. Portugal jogava o mundial de futebol em Inglaterra. Eu tinha sete anos. Nesse tempo poucas pessoas possuíam televisão em casa. Eu ia de mão dada com o meu pai ver o jogo ao café do bairrro. Jogava Portugal contra a Rússia.

Perguntei-lhe - pai, o que é a Rússia - eu nunca tinha ouvido falar desse país.

Ele respondeu  que era um país sobre o qual era proibido falar.

Fiquei espantado, não sabia que havia coisas sobre as quais não era permitido falar, perguntei-lhe porquê.

Porque se falarmos sobre o que é proibido, vem a polícia e leva-nos para a prisão.

Emissário...

Deitei o meu corpo sobre o crepúsculo

Afastei de mim as nuvens expectantes...

As asas da noite afagaram o meu rosto...

E eu...ia caindo sobre mim...como um céu a rir...

 

Entro pelo magnifico portão do jardim do tempo...

Jovialmente aceno a Deus e ...sigo em frente...

Sou como um sino crepitando no Universo...

Sou o esplendor dos dias arrasados pela excitação.

Poiso o meu sabre doirado sobre a mesa da entrada...

E... sigo para sala onde os dias nascem...

Sento-me num sofá encarnado...e vejo lume por toda a parte...

Percebo que é o lume dos nossos corpos...que faz nascer os dias...

E por isso... é preciso sempre mais...e mais...e mais corpos...

Para alumiarem...dias...dias...e mais dias...

E quando os corpos começam a faltar...

Deus envia os emissários das catástrofes...

 

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