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folhasdeluar

folhasdeluar

Segredo...

Segredo ao vento noites de doçura...

Erguendo-me como um som profundo...vindo do coração

Um som que me assedia os dias...e te oferece a tentação

Como um raio de luz secreta que acende as minhas noites vastas

E se derrama no espaço...como cinza ardida antes do tempo...

Porque não encontro os lugares secretos... nem quentes...

Onde a minha voz te sussurre coisas proibidas...

Dança....

É doce o veneno que bebemos num sonho feito de luz exótica

É doce como uma saudade deambulante.... uma luz grávida

Quimera de muros orgulhosos...infinito poço sem nome...

Profundo como um espasmo de amor...que executa a dança de uma Vida inteira...

Nascimento de rio num sonho que se expulsa..dolorido...

Impregnado de um perfume feito de giestas em flor...magra consolação...

Enrolada em mares feitos de pedras preciosas...cercadas por muralhas espessas...

Tornando-nos tão pequenos...

Que lhe reservamos o nosso regresso assim que nascemos...

Barriga de sol e lua...pessoa elíptica curvada sobre um destino sem nome...

Como um quarto escuro aconchegado num Tempo que rivaliza connosco...

Que não nos acode...que nos expulsa...

Como um delírio sobre um caminho sem fim...

Jornada sem dono...mundo sem casa...

Luz que nasce inteira sobre um caminho condenado...

Desembaraço nocturno de dança africana...ancas e corpo num frenesim vazio...

Ancestral regresso a um tempo que conhecemos...doloroso e pantanoso...

Florido e seco...

Um tempo vivo...como um ventre de mulher crescendo na noite redonda....

 

Interrogação

À minha volta há um vapor. Ou um gelo. Algo feito com a ferrugem do espaço. Algo obscuro e surreal. Os outros. Espreito os olhos de quem passa. Esplêndidos poços em ruínas. Há um cambiante de tons em cada pessoa. Uma extraordinária compressão de tempo. Tudo existe para que o possamos conhecer. Tudo se ergue para que possa ser tocado. A lua do dia é uma emoção. O mistério é a noite. É o mistério que nos empurra em todas as direcções. E arranjamos pretextos. Queremos arrancar de nós toda a estranheza. Temos pensamentos extravagantes. Fazemos um descomunal esforço para tocar a ilusão. Vemos quem passa. Divagamos sobre quem será. Ou pura e simplesmente não vemos nada. Estamos focados no nosso heroísmo de pessoas amorfas. Banalmente esperamos a revelação que nunca surgirá. Mas esperamos. Negamos a lógica de que nada importa. O nosso ideal era sermos um ponto. Uma admirável tarde. Termos nas mãos o nosso reino. Reinarmos sobre nós próprios. Mas somos assim uma espécie de mentira encerrada numa cúpula de culpas. Mas não somos culpados de nada. Cruzamo-nos com uns e outros. Pestanejamos. Somos invadidos por ocasionais forças. Ganhamos forças. E nesse momento erguemo-nos...como interrogações vazias.

Tempo cristalino

Era um tempo em que as águias planavam ao vento sobre a vastidão dos desejos

E eu mergulhava num sono entorpecido que me fazia esquecer os segredos da vigília

Era um tempo em que me deitava num relâmpago marcado a fogo e rosas

Era uma gaivota que agitava as águas geladas com o seu trovejante mergulho

Era o estrondo das veias cristalizadas pelo mistério das luzes faiscantes

Águas de sono...dias onde embalsamei os segredos numa sebe de bambus

Buda noctuno que espreitava majestáticas faíscas...

Que beijava seios...junto ao mar..

Mas a morte ronrona numa aflição de sal apagado...e tu resistes...e eu resisto

Moldo a minha noite como se fosse um vento estendido sobre um sorriso

Apago os contornos do teu corpo que giram...noite adentro...devoro vigílias

Como estrondos de aves mergulhando num regaço de luzes...

E invento...inventamos...cabelos...sexo...prazeres feitos de barro em fogo...

E são as estações do ano que se vêm deslumbrar com os naufrágios

São as inofensivas fugas de reluzentes alucinações...

É o ácido a exclamar profundezas...a imaginar mundos de luzes caleidoscópicas

A mente povoa-se de cristalinas ferrugens...

Que me afligem como continentes à deriva

Onde o cansaço arde numa extinção de corpos coloridos por intermináveis desejos...

Pandemias que assolaram o mundo – A Gripe A #3

Volto hoje ao tema, pandemias que assolaram o mundo, para lembrar que já neste século tivemos uma pandemia, ( a gripe A) provocada pelo vírus H1N1. Será que aprendemos alguma coisa? Veremos!

 

Foi em abril de 2009 que a uma criança mexicana, Edgar Hernandez, de cinco anos, foi identificado a nível mundial o primeiro caso de uma infecção pelo vírus da gripe A.

 

Por ter começado no México, a doença foi inicialmente conhecida pela «gripe mexicana» e também como «gripe suína» porque afectou pessoas que estiveram em contacto com porcos doentes. O aparecimento de focos simultâneos em vários outros países, levou ao abandono dessa designação. O nome que acabou por ficar – gripe A – identifica a doença com o subtipo (A), que apresenta uma combinação de genes das variantes humana, aviária e suína.

 

A 11 julho a OMS declarou a gripe A « a primeira pandemia do século». Em apenas seis semanas, o vírus espalhou-se por todo o planeta., uma propagação que anteriores pandemias tinham precisado de seis meses.

 

Os sintomas incluíam febres altas,(superiores a 38 graus), tosse, dores de garganta, nariz entupido, dores musculares,arrepios, fadiga e em alguns casos diarreia e vómitos.

 

O vírus chegou a Portugal a 4 maio de 2009, mas o número de infecções só disparou em junho. O Ministério da Saúde começou a divulgar relatórios semanais com o ponto da situação, e fê-lo durante 59 semanas,( perante esta pandemia já podemos ter uma ideia do que podemos contar em termos temporais). Em Portugal morreram 106 pessoas vítimas do H1N1.

 

A contensão da gripe ficou a dever-se à rápida reacção das autoridades de saúde, que tomaram medidas preventivas. Foi utilizado o medicamento Tamiflu e constituídas reservas estratégicas desse medicamento em todos os países desenvolvidos. Também foram distribuídos kits de prevenção para a gripe contendo - máscaras, gel líquido e toalhetes desinfectantes – em escolas, hospitais, centros de saúde e empresas privadas. (Parece-me que em comparação com a actual pandemia algo foi agora esquecido, designadamente a obrigação de usar a máscara).

 

Para terminar temos as vozes críticas que no período pós-pandemia, acusaram a OMS e as autoridades de saúde nacionais e internacionais, de terem exagerado o perigo e espalhado o medo e a confusão.

(Será que a OMS teve novamente medo de espalhar o medo e a confusão? Não vale mais prevenir, mesmo espalhando o medo, que dizer que o perigo não é real?)

A própria OMS fez fez um inquérito para saber se tinha assustado desnecessariamente as pessoas.****

 

É o tal ditado...preso por ter cão...

 

 

**** Baseado no livro de João Ferreira - Histórias Bizarras de um Mundo Absurdo

 

O tempo acabou!

Ontem percorri as penas dos pássaros. Despi-me como quem declara paz a si próprio. Separei-me dos espinhos. Percorri as marés. Oscilei como um pêndulo geometricamente avariado. Espreitei para o furor dos precipícios. Nada descobri. Todas as visões se desfaziam em vertigens de amanhãs. Solstício de ruas e lugares. Furor de antes caminhar que cair. Poético contágio de silêncios. Paz. Penso na minha respiração. O tempo abre-se. O tempo é o juiz de todos os tempos. O tempo é a estreita fenda por onde tudo passa. Onde tudo cai. Antes do tempo havia a madrugada. E os olhos. E as bocas. E os lábios. E também a loucura dos beijos. Antes do tempo havia a liberdade de não haver tempo. Mas os pássaros ensinaram-nos a voar. Por isso...o tempo acabou!

Música

Como música expirada a plenos pulmões

Transpiram de mim frases em línguas estranhas

Talvez assim me percebas...

Talvez estas frases se enrosquem em ti

E te prendam como veias entrelaçadas

Talvez nos unam com a eternidade

Essas frases que não nos fazem velhos...

Mas que se entrecruzam com os nossos dias

E nos cobrem como uma capeline...adoçando-os...

Não...as palavras não nos envelhecem

Mesmo que a nossa pele transpire

Mesmo que do piano saiam sons de notas quebradas

Mesmo que os gemidos se transformem em gritos

E as nossas pernas se cruzem...numa harmonia...

Toco a tua pele...tocas a minha pele...

Somos lianas enroscadas na vida...

Línguas zumbindo em volta do mel...

Como um pôr do sol...ou como rugas de mistério...

Porque sabemos que já vivemos

Que já contámos dias...que já fomos contados por eles...

E que alcançámos a melodia perfeita …

Como agora perfeito... é o nosso silêncio...

Ciclos de vida

No fim de nós o começo dos dias. No baloiço do mar o adornar dos medos. O escuro amordaça a noite. O escuro amordaça os olhos de quem parte. Cheguei ao cais e senti a ausência dos barcos. Sobre o pontão esperei a vertigem do meu consolo. Consolei-me. Vi como poderia encontrar a pedra que esborracha a noite. Essa pedra rija e útil. Essa pedra que sustenta o cais. O nosso cais. Todos temos esse cais onde os sorrisos despontam. Onde os dia escorrem pelas nossas maravilhadas esperanças. Cada dia de vida é um consolo. Uma pintura. Um fogo. Cada dia de vida é a destruição da opacidade do amanhã. É a ruína enigmática dos nossos naufrágios. Tenho todo o tempo para me sentar perante mim. Tenho todo o poder para me levantar e sair. Tenho os olhos da morte em cada inutilidade. Tenho uma vela acesa. Ilumino o último naufrago. Respondo por mim e pelo incêndio das tardes. Sento-me como se fosse uma pedra. Ou um animal selvagem. A beber o meu ciclo de vida. Intacta.

 

Paisagens coloridas

A seu tempo saberemos o que somos

Uma lágrima ou um fruto maduro

Ou uma folha que pairando no lago inverte a sua sombra.

 

Vogamos num rio de águas pesadas

Existimos fascinados pelas cintilações da terra

As estrelas disputam a nossa verdura

Criamos o frio para nos acompanhar

E ficamos maravilhados pelo sal que desce pela nossa fronte

Sem isso seríamos a pena que não reluz na fantasia.

 

Uma chama  sugere prazer e argila

Contento-me em ser a dissolução das minhas cinzas

Fascina-me a franqueza dos dedos nas cordas da viola.

Absurdas flores desabrocham no areal

Catam insectos que voam na fronte perfumada do mar

Depois...há as paredes feitas de carne...

Vida comida na linha das mãos

Nasci numa madrugada martirizada pelo medo de ser dia

Regressei ao meu deleitoso sono de ser homem

E despi-me das folhas que me cobriam.

Nas cavidades do verão residem sombras improváveis

Peles ingénuas cobertas de máscaras

Viver é desmembrarmo-nos... em paisagens coloridas!

 

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