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folhasdeluar

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Alma efémera...

 

Um grito. O fundo da alma revelado. Hálito de névoa. Apoteótica efemeridade. Uma linha de cobre mostra o caminho. Estrada sem margens. O tempo pendurado no horizonte. A espera a desvanecer-se em nadas. Que esperas? Quando um areal de ouro se dobra debaixo dos teus pés. Quando a espuma das ondas explode num sermão de cores gritantes. E o olhar se projecta no alcantilado das falésias.Se nesse momento o céu é apenas um espesso balão a tapar a esperança. Se é  apenas um futuro a desvanecer-se. Se é uma chapada de cores. E o oceano transformado em paleta. Fala do muito que fica por dizer. Do muito que fica por fazer. Fala do espesso e teatral assombro. Do nosso assombro perante a capacidade que o sonho tem. E eu misturado neste sol e sal e mar. Como um nevoeiro onde cambiam as cores...ascendo à minha iluminação. Sou a minha própria poalha a desabrochar num desmaio de luz esbranquiçada. Fantasma que ascende a si. Nuvem interstelar. Mancha revolta. Alma efémera. Pego em ti...e parto ao encontro da serenidade.

Rugas...

Sei de cor a voz do vento

Sinto na pele as rugas de cada árvore

Numa pedra teço a incerteza

Num círio acendo a minha sombra

Nos meus olhos cavam-se naufrágios....silêncios

Do meu fundo emerge um eco

Como se fosse a herança de uma insónia

Ou de uma música que desconheço...

Acenos da vida

Pequenos entalhes moldam a nossa vida. Risos escavados pelo canivete dos dias. Tatuagens. Desenhos retintos de vários matizes. Alegrias. Tristezas. Em cada homem uma paisagem. Um mistério. Uma árvore solitária num campo dourado pode fazer um poema. Um homem solitário num fim-de-tarde apologético pode ser um poema. Uma fé. Em cada homem um fundo negro. Baço. Em cada barco uma rede. Um arrasto de vida. Uma maré vazante. Um moinho de vento. Os olhos abrem-se. O mar é uma ideia. Para além do olhar...o nevoeiro. Um sino. Uma igreja. O acenar da eternidade. E longe...muito ao longe...a errática hora do consolo. A sistemática contemplação das saudades. As casas. A vida de cada um a esconder-se nas fachadas. O infinito rasto de uma sinfonia de amor. Os dias ganham nomes. As pessoas ganham dias. O vento arrasta os papéis. As areias tornam-se lilases. Os pincéis arrastam a mão do pintor. Tudo está perfeito. Tudo vive na imperfeição. Extasiada a alma...que observa todos estes fantásticos acenos da vida.

Sonhos etéreos

Mergulhados em sonhos etéreos procuramos a felicidade. Viajamos por mundos e mundos procurando aquele que possamos vestir. Procuramos aquele ligar mítico e lateral onde possamos acalmar as turbulências da alma. Caminhamos. Sobre uma espécie de mar revolto. De mar em chamas. Esperando encontrar os pregos que nunca se cravarão na nossa carne. Ou de encontrar a jóia mágica que nos transportará até à nossa profundidade. Nas nossas mãos está o poderio de conquistar o nosso troféu. O nosso intangível espaço-tempo. Os nossos próprios códigos. Basta acreditarmos que podemos decifrar os preciosos dias. E caminhar em direcção à estoica forma de preservar em nós...o bem.

 

Contemplo a doce tarde. A lonjura de azul-anil. A estonteante borda do dia. Sou daqui. Pertenço a esta janela. Onde as asas dos pássaros cortam a luz. Onde o rio escorre pela amplidão dos meus olhos. Penso no odor a breu que os dias deitam. Penso na paisagem para lá do horizonte. Dos meus horizontes. De tudo o que me estonteia no prolongamento de mim. E sou névoa. Sou um bafo de alma. Sou a íris cismática. Sou o extremo do céu e o moinho de vento. A escorrer. A escorrer. A discorrer...

O sabor do vento

Um dia …

Quando a minha alma chegar ao lado mais escuro...

Saborearei o vento

Um dia...

Quando a claridade dos deuses me cegar os ossos...

Devorarei as raízes das coisas impuras

Enviarei mensagens encriptadas ao medo...

Serei a seiva espalhafatosa dos astros

No cume das serras ascenderei ao olhar dos mortos...

Pois conheço esse caminho de cegos onde os deuses estremecem

Um dia...

Quando minha pele se vestir com os cantos que ecoam na noite

E as raízes se cobrirem de vergonha...

Serei eu próprio quem dormirá na amplidão do mar...

E serei o relâmpago que se acenderá por si próprio

Pois sei que no azul silencioso todos os caminhos se cruzam...

Por isso estou vivo e avanço

Reconstruo-me...escoo-me...

Ascendo às asas do meu lume...incendeio-me

Adormeço quando a manhã me avassala e desampara...

Tenho comigo o respirar dos pássaros

Desconheço a luz que me despe...

Por isso envio falaciosas rimas aos infernos

Misturo-me com as constelações...

Dispo-me com a estranheza dos desassossegados

Como num encanto construo o meu mar...

Visito Brandão

E caio desamparado no meu abismo...

O PSD radicalizou-se?

O PSD e o Chega celebraram um acordo. Tudo bem. São partidos representados no parlamento. O que me espanta é o PSD alinhar,(em tempo de crise), na diminuição da ajuda (RSI) aos mais necessitados. E ainda por cima com a desculpa que apoia o aumento do emprego, (há algum partido que mão apoie o aumento do emprego?) para reduzir esses mesmos apoios. Até parece que são os partidos políticos e não os empresários que criam emprego.

 

O PSD, sai muito mal na fotografia. O líder do Chega goza com com Rui Rio e diz que não foi o Chega que se moderou, foi o PSD que se radicalizou. E o PSD radicalizou-se não só com o intuito de tomar o poder nos Açores, mas como experiência para tomar o poder no continente. Tudo bem, os acordos são legais. Ficamos a saber o que pretende o PSD. Agora que venham as eleições. E se a maioria os escolher é porque acredita nos seus projectos. O Trump também ganhou...da primeira vez.

A luz violeta.

O mundo ergue-se em manchas de luz e névoa. Cresce nos mares. Nos lagos. Nas danças dos fantasmas. O mundo é a penedia e a transparente calma da tarde. Todas as manhãs há o voluptuoso renascer das paisagens. Aguarelas de luz e brancas casas. O mundo é o desmaio de céu na penumbra rósea do horizonte. É o gigantesco silêncio de uma luz crua. É o oco escuro do impulso que nos faz viver. Mas nada nos responde. Nem as longas estradas. Nem a indecisão que cai dos céus. Nem o manso balido do silêncio. Seguimos nesta barca de fundo chato e olhos molhados. Envolvidos em ferrões de incertezas. Alastramos. Alastramos. Puxamos a nossa rede. Pescando o debater dos dias. Somos nós e os nossos pés descalços. É o vinho e o reflexo enganador da alegria. São os nossos estremecimentos e tudo o que largámos. É o que é e o que tinha que ser. É a poeira transformada em homens. É a palidez da alma e o voo das gaivotas. São os areais. São as faíscas da alma a incendiar as vidas. E é a leveza de um olhar a desvanecer-se na bruma. A alongar-se no pontão do cais. Onde o sonho se consome. E o vento enfuna a vela que nos guia. Até que a nossa cinza se afogue numa luz violeta.

Universos...

Os sítios e os cheiros que nos marcaram não se escoam de dentro de nós. Permanecem ali. São retábulos que se abrem para um tempo de silêncios. São esplêndidos gritos de alma. Sonos de claridade. Memórias de searas e pardais. Odores a lodo e algas. Lufadas extraordinárias de cantos de cigarras. Incessantes tons de azul. Fogueiras de S. João. O mundo tinha o hálito das giestas. E a noite o ininterrupto cantar dos grilos. Nadas sem importância. Ternuras de tempo consumido. Fantasmas de saudade a evocar rio e oliveiras. Absorventes tardes de verão. Magia. Reflexos da respiração da terra molhada. Campos verdes. Campos dourados. O mundo desaparecido da realidade. Mas há ternura nas recordações. Há um remoto entendimento de vida vivida. Uma beleza integrante de pertença. Um já foi. Um já vi. Um já vivi. Mas as paisagens também partem. Também desaparecem. Também se reinventam. São outras no mesmo lugar de sempre. São as mesmas no mesmo lugar destas outras. O sol continua a refletir-se no rio. A espelhá-lo. A incendiá-lo. Tudo perdura em nós...mesmo o que se perde. Tudo cai para esse poço de solidão. Tudo se ergue desse poço de nostalgia. Os meus vestígios são apenas aparências. O meu mar é a minha luz. O que sinto na minha profundidade...é o meu mundo.

 

Febre...

Preciso beber a seiva de uma nítida saudade

E... de olhos pousados sobre a felicidade

Preciso inocular argila...febre...romance…

Quero dançar valsas nos salões onde a ternura oxidou

Olhar por dentro os canhões de fogo

Pousar nos limbos onde as gargantas explodem em risos

Oferecer ao sol um sacrifício burlesco...

Embalado em poeira ardente

Quero enviar uma mensagem ao mundo...

Como se fosse um general ébrio

Quero ser a centelha desvanecida que cai da razão

Eufórico irei espalhar a notícia...pelas tascas agrestes e reles..

Pelas cidades negras e azuis

Pelos raios de sol espelhados em rubis

Pelas planícies onde se desfazem as marés vazias

Por todos os lados...por todos os sítios...a todas as horas...

Tirarei o chapéu...descobrirei a cabeça ao vento

E...para minha grande ventura...

Deporei o meu desdém sobre todos os tesouros!

Dias de amor

Deslizar pelos pensamentos...

Subir às noites repletas de orvalho onde o vento atapeta a viagem

Carregar a solidão...arrastá-la pela alma...

Como seda perfumada com alecrim

No pátio ouve-se o restolhar dos carvalhos

As mulheres passam...

Conversam sobre as brisas que as invadem

Carregam sonhos pelas veredas...

Embalam a tristeza tocando liras de prata

Mas na terra... a luz não enche os olhos...

E a alma desliza pela garupa dos vinhedos

Como se os dias de amor nunca acabassem...