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folhasdeluar

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Nenhum nome

I

Nenhum nome...nada... apenas a força de ser...gelada...

Nenhuma terra...nada....apenas a força de cortar a vida...à espada...

II

Quando eu morrer...busquem em mim o deserto que já não sou...

III

Quando eu caminhar...direi que no silêncio há labirintos de saudade...

E que as searas...são lisas tardes de calor....

IV

Despedi-me do tempo...despedi-me do mar...e vi...

Que para além de todos os instantes...há uma verdade perdida no medo...

V

Contigo vesti o meu destino...sem ti serei um despido...peregrino...

VI

Vestirei com gestos de segredo...todos os ventos que aportam ao teu sorriso...

Braços caídos

Ele ali está...fechado como uma concha.

Cheio de palavras...caladas

Por detrás o espelho...onde se reflectem as várias facetas de si

Na mão...um livro

Livro e espelho...ambos resumidos ao silêncio...intactos

Quietos...no som da chuva que começou a cair

Absortos...

 

Numa página do livro há uma folha de uma qualquer flor

Folha de flor que já não cheira...memória de outra memória que já não tem

Tampa de cela de onde a memória se desprendeu...

E partiu...mas que ainda marca aquela página.

 

Há também uma rosa numa jarra...e também há uma alma em cada estante

Alma submersa pelo aroma da madeira...que suspira...cansada...de ali estar.

 

De onde vem a distância que atravessa a vida?

Que viagem fazem os sentimentos diluídos na espera?

Somos isto e aquilo... temos o perfil da luz que se escoa pela nossa face

Desajustados...ferozes...felinos...

Sentimos a tentação pelos espaços

Embalamos a lua nos braços...

Caídos...

 

Coisas transparentes

As pessoas não se veem

As pessoas pressentem-se nas palavras que escrevem

As pessoas sentem no frio de cada letra

O calor da transposição da distância

A comunicação é um sobressalto de mastros

São os navios que vogam nos silêncios escondidos

Almas de vozes que não se ouvem

Alucinações de noite e poesia

Gestos brancos e jardins floridos.

As pessoas são milagres que chegam à nossa costa

Trepam às nossas falésias como aves de areia

As pessoas renascem nos nossos tumultos

E nos nossos murmúrios

São tectos de mundos cosidos à nossa alma

São bosques milagrosos que nos encantam

Paisagens fantasmas que percorremos

Com a nossa longínqua letra

Desejando-lhe que sua a vida dure mil anos

E os dias transbordem com o amor das coisas transparentes

Que nos surpreendem...sempre!

Ressonância

Eu...debruçado sobre o meu vazio...

Pego na noite como quem agarra uma queixa.

 

A eterna cidade...

E o lento circular do vento conduz-me ao tempo dos silêncios

A noite não quer saber do cais que brilha na insónia

Na suspensão da luz há um ritual de cedros fluorescentes

Límpidas são as paredes...altíssimas são as vontades

Pelas janelas espreitam rostos inacabados

Nas fímbrias do azul espreitam estrelas transparentes

É o destino a chamar... a clamar por mais ruas

Onde as folhas carcomidas das faias se erguem dentro de nós

Como realidades indistintas...como sóis de trazer por casa

Como perfumes de coisas intransponíveis.

 

A vida é feita com a brancura das mãos

As palavras são instantes largados no papel

O luar é uma teia que nos devora...

Como um fogo de estátua a acenar na brisa dos instantes

Como uma luz quebrada...como um mar de céu...calmo

Como um vazio de barco...que passa rente ao nosso promontório

Sem direcção nem forma...apenas um barco... liso...de chão sagrado

Que voga na ressonância da nossa alma...roxa de frio...

 

 

No escuro do mundo

No escuro do mundo um gesto de paz agita a brisa

A crina das coisas toca na solidão

Mas o chão não se ergue...

O perfume não passa

O frio inteiriça a lisura das pedras

E os homens...esses misteriosos nautas da luz

Cortam as águas como quem se atravessa no destino

E passam por dentro do fogo....

Com a poderosa lucidez de quem não é nada

A incubadora da felicidade...

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Estamos em Aarhus, na Dinamarca, considerada a cidade mais feliz do mundo. Vamos visitar uma incubadora da felicidade, uma escola primária.

 

De manhã as crianças entram na escola e começam a aula com música e canto, acompanhadas pelo professor de música. Haverá forma mais feliz de começar uma aula do que a cantar? No final do dia também há aulas de karaoke onde a todos os alunos é disponibilizado um microfone para que possam cantar e interpretar a música ao seu gosto, e ninguém fica aborrecido se não souber cantar, o que é importante é a participação e o divertimento, ou seja, o mais importante é o grupo.

 

Vamos agora há primeira fase da primeira aula do dia.

Há um quadro negro onde verticalmente estão dispostos números de 10 até 1, sendo que 10 está no cimo e o um em baixo. O professor começa a perguntar aos alunos individualmente como se sentem nesse dia, de 10 a 1. Todos os alunos dizem e explicam como se sentem porquê. Há alguma escola em Portugal que se preocupe com o sentimento das crianças? Há alguma escola em Portugal que ensine as crianças a exprimirem os seus sentimentos? Não me parece! Mas o mais importante é o que as crianças dinamarquesas dizem acerca desta prática e é o seguinte: - ao sabermos como cada um se sente,  podemos brincar e apoiar aqueles que estão com a moral mais em baixo. Quer dizer, as crianças são ensinadas desde pequenas a partilhar sentimentos, a ser solidárias, e aprendem que numa comunidade é muito  importante que todos estejam felizes.

 

Mas Aarhus é uma cidade mesmo especial. Lá não há ricos,mas o mais importante é que não há pobres. Todos vivem bem e com simplicidade. Sabem que lá as mães não levam os bebés para dentro dos bares ou dos cafés? Lá os bebés ficam na rua dentro dos seus carrinhos e as mães não têm qualquer receio de que alguém rapte os seus filhos. E se o bebé começar a chorar, caso a mãe não ouça, alguém que passe na rua vai ao café perguntar se a mãe daquela criança ali se encontra.

 

Aarhus uma cidade silenciosa, todos se deslocam a pé ou de bicicleta e os seus habitantes são  pessoas  culturalmente muito evoluídas.

 

É da escola primária que sai toda a preparação de partilha e solidariedade que faz com que Aarhus, seja de facto a cidade do mundo com as pessoas mais felizes. É tudo uma questão de educação e cultura.***

 

***Texto baseado num documentário exibido na RTP 2.

 

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