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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

Inventor de mundos

Arrastas o triste dia pelo cunho das ruas

Onde um sol de lobos amolece a alma

Não és mais que carregador de mundos

Onde és pegado pelos cabelos

Em direcção à vingança do futuro

E se te ergueres como uma bala nua

Despreza o tempo...grita na rua

Porque sabes...que todas as securas das marés

Esperam por ti.

Se me disseres que na côr dos poentes ardem febres

Se me disseres que para além do mundo

Ainda resta uma longa estrada

E que as trovoadas ecoam na lonjura dos vales

Se me disseres tudo isso...

Eu então respondo;

Que não há nada melhor que a calma de uma tarde

A espairecer dentro de nós...

E a estender-se dentro de nós

Sôfrega do nosso corpo

Como se o mundo morasse na luta que travamos com o olhar

Não para descobrir...mas para inventar

Outros mundos...

Terra despida.

Tu que amoleces os sonhos em charcos de lama

Que secas a pele na quietude colérica dos dias

Acorda a carne...

Alimenta essa tua imberbe placidez

Com a secreta secura das lágrimas

Com a virtude perdida...num poço de fundo opaco

Onde a luz não chega...e as estrelas não encontram espaço

Despedaça o teu corpo nessas escuras estradas

Dobra este sol com a tua implacável vontade

Não deixes que os rios sequem nas tuas mãos

 

E..mesmo que os olhos tremam como vagabundos do silêncio

 

Guarda o teu segredo na terra despida.

 

Ai este espanto a calar a verdura do vale

Ai esta pena de pedra a estalar na carne

E este sussurro da luz a ecoar no coração

E este frio a entrançar a pele

Estas asas de grito a estalar na lonjura do espaço

Ai como eu ardo

Como fumega a minha nostalgia

De não ser mais que uma pedra

E não poder voar...

 

Asas de insónia

Sento-me neste lugar pejado

Com gritos de búzios e risos de sol

Pés marcados na pedra

Alma e coração nas nuvens.

 

Asas de insónia na verruga da noite

E o espanto de fragas

Nos cabelos de criança

A repousar num chão de lua

A esperar a curva do dia

Com esfarrapados silêncios

Que calam a miséria da secura dos olhos

E a fome de luar...

Um rio...e nada mais

A vida acaba onde o sonho começa

A vida começa onde o sonho acaba

Tudo é um eco ...sempre repetido...

Sempre imperante...silencioso...

Como a luz que desce das cinzas do luar.

 

Sombra lenta e real

Que cavas nos olhos do silêncio

O fim e o princípio de tudo

E vives numa floresta

Que se revela nas raízes que não vemos

Como se o avesso de amor

Fosse o musgo que se cola à pele

Como uma dor

Disseminada pelo corpo dos dias.

 

Voo de pássaro sem vida

Voo de ave sem fundo

Poço de tudo

Poço de vento...vida

Que a fuligem dos corpos cobre de mistério

Bica se alimenta de águas irreais

E o sonho é apenas um rio

E nada mais....

Pássaro de vento

Conheço um pássaro que vive confuso

Não sabe do tempo...não sabe do mar...

Não sabe do mundo

É um pássaro de cores... tem penas de luz....

Vem do nevoeiro

Eleva-se no ar com asas de vento

Sempre a assobiar...sempre a divagar

É um pássaro que voa por dentro do tempo

Mas não sabe que além... há um mar todo azul

E vive na ideia... de ser um pássaro...

Que voa...num céu de veludo

Sem limites nem chão...

Tem tempo para tudo

Tem vida para nada

E vive na ideia de um tempo que ignora!

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