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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

A lei das beatas

Começo por fazer a minha declaração de não interesse; este post é sobre a lei das beatas, e eu não sou fumador. O que me leva a criticar a lei, é que não basta fazer fazê-la, é preciso disciplinar as pessoas. Não basta aplicar coimas, é preciso criar condições para que as pessoas não prevariquem. Além disso a lei não é eficiente. Comecemos pelo principal, as pessoas fumam. As pessoas fumam na rua. E onde é que as pessoas põem as beatas? A resposta é óbvia, atiram-nas para o chão. A verdade é que em três anos de lei das beatas, apenas foram aplicadas 162 multas. De facto as/os fumadores não têm um recipiente disponível nas ruas para colocar as beatas, por isso a lei está desfasada da realidade. Em primeiro lugar penso que a lei deveria obrigar as tabaqueiras a colocar cinzeiros nas ruas,(e não me venham dizer que é muito difícil obrigar as tabaqueiras a fazê-lo, porque sem ser obrigada e ainda alguns anos antes desta lei sair, já a cidade de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira tinha cinzeiros espalhados pelas ruas), além disso a lei também deveria obrigar as tabaqueiras a recolher e tratar as beatas. Só depois de criadas estas condições se deveria avançar com a lei das coimas a aplicar a quem atirasse as beatas para o chão. E também é preciso uma efectiva fiscalização do cumprimento da lei. Fiscalização essa que podia ser feita através de câmaras de filmar que existam nas ruas.

 

Já agora e a talho de foice, penso que o governo deveria manter livre a venda de tabaco. Não é por causa de restrições aos locais de venda que as pessoas vão deixar de fumar. Acho que seria muito mais eficiente que o governo aumentasse os impostos sobre o tabaco. Isso sim, parece-me que seria muito mais motivador para que quem fuma, abandonasse os cigarros.

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Leonard Cohen e o casamento

Isto não é uma canção....é uma oração.

Mas vamos à profundidade com que Leonard sentia o casamento...ele que nunca casou.

" O casamento é uma oportunidade de prestarmos serviço a um nosso semelhante. É uma oportunidade para a mais profunda transformação humana, uma vez que estamos, do modo mais profundo possível, na presença de outro ser humano. Isto exige trabalho, exige disponibilidade mental, exige empenho, exige disciplina."

A ADSE e o "egoísmo" da CGTP

A CGTP realizou uma manifestação de protesto contra os descontos dos funcionários públicos para a ADSE. Quer a CGTP que os empregados do estado descontem sobre doze meses e que passem dos actuais 3,5% para 1,5% dos ordenados. Foi a troika quem impôs a actual percentagem de descontos porque a ADSE era deficitária e era o Orçamento do Estado ( ou seja, os que em nada beneficiam com a ADSE quem pagava a saúde dos empregados do estado). Agora a CGTP quer que o governo baixe os descontos para este sistema de saúde e, pasme-se, para que não se torne de novo deficitário, a solução é aumentar os ordenados aos funcionários públicos. Quer dizer baixa-se os descontos, o contribuinte paga a saúde aos empregado do estado e ainda se aumentam os ordenados. Assim sim...vale a pena ser comunista. E eu que pensava que o comunismo defendia a igualdade de direitos, mas parece que não. Há uns mais comunistas que outros, é que não vejo a CGTP a defender o acesso à ADSE para quem não é funcionário público.E para terminar,nada tenho contra a ADSE desde que não seja financiada com meus impostos.

41 994 animais abandonados

Só no ano de 2022 foram abandonados 41 994 animais de estimação, ou melhor de falta de estimação. Já todos sabemos que os animais não são isentos de sentimentos. Os animais sentem profundamente o abandono. Já temos por cá alguma legislação que proíbe maus tratos aos animais, mas falta criminalizar o abandono. No entanto só criminalizar não chega, é preciso saber quem foi que abandonou o seu animal. E como é que é possível saber quem foi? Pois a mim parece-me que o processo é muito simples e passa por duas fases. A primeira é a obrigação de todos os animais possuírem chip. A outra é a obrigação de todos os donos serem obrigados a tirarem uma licença ( nas juntas de freguesia) de posse de animais, algo assim à semelhança da licença de porte de arma. Mas esta licença tem que ser obrigatória para toda a espécie de animais: cães, gatos, aves e répteis. Para além disso, a licença tem de possuir a foto do animal, para que, em caso de abandono, as autoridades poderem aceder ao dono que abandonou. Coloca-se então a questão de quem é a obrigação de registar o animal? Pois bem o vendedor identifica o comprador e é obrigado a comunicar que vendeu determinado animal a determinada pessoa, sendo criado para esse efeito um site de registo, onde a junta de freguesia verifica,( quando o dono vai pedir a licença,)os dados do animal que foi vendido. E se quem compra não for tirar a licença? Bom, nesse caso incorre em pena de multa ou até de prisão. É preciso que as pessoas compreendam que possuir um animal é algo de muita responsabilidade.É preciso que as pessoas compreendam que se abandonarem o seu animal  não ficam impunes. Há que legislar no sentido da prevenção, e ao mesmo tempo mostrar que abandonar um animal é abandonar um ser mais fraco que não se pode defender. E que trair a confiança que existe entre o animal e o dono não é uma brincadeira. É um assunto muito sério e grave.

O "esforçozinho".

É “enternecedora” a forma como o Sr. Presidente da República pediu aos bancos para nos arrancarem a pele com mais suavidade. É “enternecedora” a forma como o Sr. Presidente da República pediu a entidades que têm lucrado centena de milhões de euros ( de lucros excessivos com o aumento das prestações dos empréstimos à habitação), que paguem mais uns tostões de juros nos depósitos a prazo. É “enternecedora” a forma como o Sr. Presidente da República usa o diminutivo de esforço,( não vão os banqueiros ficar amuados). Não há dúvida que a banca é como um vento negro que tudo derrete. É deprimente que o Governador do Banco de Portugal se mantenha calado. É deprimente que o BCE não obrigue os bancos a aumentarem os juros dos depósitos a prazo na mesma percentagem que aumentam os juros das prestações da casa. É deprimente que os bancos vivam num êxtase de lucros enquanto os clientes esbarram na intocabilidade dos mesmos bancos. Mas que em caso de perdas são chamados a salvá-los. É deprimente que a justiça seja algo que se observa à distância e que ninguém tenha a coragem de pressionar a banca. É deprimente sentir que o hálito da banca cheira a podre, e que os clientes são tratados como reflexos de pessoas. Já só com ossos porque a carne foi comida pelos empréstimos.

O descaramento não tem limites

O governo prepara-se para legislar sobre os sacos de plástico transparentes que usamos nas compras do supermercado. E como é “normal” em Portugal, o governo cedeu às grandes superfícies em prejuízo do cliente. Concordo que se deve acabar com os sacos de plástico ultra-leves, mas penso que cabe aos supermercados arranjarem forma de os substituir sem prejudicar quem compra. Mas o que o governo vai fazer não é defender o ambiente é defender aqueles que nos exploram de todas as maneiras possíveis. Não proibir os sacos, e obrigar o cliente a pagar, é mais uma forma de imposto encapotado, onde ganha o estado e os supermercados. E quem perde é o ambiente e o consumidor, ou seja, o mexilhão.

Nascimento

As casas sangram

As ruas soltam golfadas de solidão

Nas pedras do passeio

Gritamos como ontem...fugimos como amanhãs

Rodamos a chave

E desaparecemos na profundidade dos quartos

Dramáticos sonhos feitos de intensos arpões

Postam-se na vigília do silêncio

Um pouco das nossas mãos

Escorre pela música dos oceanos

Agarra as águas insatisfeitas...somos águas

Insatisfeitas como penumbras

Isoladas como tranças na nostalgia dos olhos

E ainda não subimos todos os degraus

Ainda não secámos todas as fontes

Ainda não nascemos...para nós...

Tarde perdida

Na amnésia da noite está o espaço

Que medeia entre o teu caos e o meu deslumbramento

Na tua voz se deitam os momentos

Em que os sonhos tecem delícias.

 

O vento vibra

Alagando todos os sentimentos com uma sede de areia

Como se translúcidas veias

Se erguessem na pele ensonada do tempo.

 

Aqui está a cavidade

Onde o coração se derrete em flocos de sabor amargo

Ali vai a suave seda que toca a parte íntima da pele

E rodopiamos

Rodopiamos num bailado feito com a geometria dos silêncios.

 

Descobrimos recônditos seres

Que se escondem dentro do nosso olhar

Sabemos agora que caiamos a nossa vida

Com a brancura dos moinhos de vento

Esse vento que sopra

Na nossa enfunação de almas que ondeiam na tarde de agonia.

 

Bandos de pássaros saltitam na vegetação do estio

São pássaros entrelaçados na lentidão de nós

Pássaros complexos...livres do espaço

E das pontes quebradiças das coisas que não queremos

E nós... em pontas dos pés

Erguemos o nosso ballet gelado

Como convém àqueles que se libertam

Das estátuas volúveis e absortas

Que passam o tempo acenando a quem passa

E que são inúteis como sombras na água.

 

Tentaculares memórias apócrifas

Ocupam o espaço demolido da alma

Ao mesmo tempo

Que tomamos minuciosos banhos de corações assombrados

E arejamos o sono

Cobrindo o final da tarde

Com uma moldura presa na parte hesitante do dia

E olhamos a profundidade das asas das borboletas

Que vagueiam pela nossa vela acesa

Como sonâmbulas

Ou como fantasias de uma tarde perdida...