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folhasdeluar

Poesia e outras palavras.

folhasdeluar

Poesia e outras palavras.

Paz...

Eu não estava ali

Não era aquele o meu respirar

As mãos...vazias...o rosto...opaco

Como se fosse um espelho escondido de mim

Os meus olhos

Distraíam-se com as perguntas do vento

Perguntas vagas...crispadas

Como mãos que agarram o infinito

A tarde...era uma longa angústia

Escorria de todos os meus ângulos

Um fogo inoxidável

E na sombra das clareiras

Extinguia-se o cansaço que me percorria

Sentia uma tenaz a apertar

Olhei o azul sem fim desse cansaço

Toquei nessa rota com a ponta dos olhos

E por entre as fendas azuis das margens

Eu esvaziava-me de sonhos e enxugava

A alma...

Despedida

Neste enigmático dia em que o sol escurece

E o pensamento se quebra

De encontro às agulhas dos pinheiros

Por breves instantes vejo os caminhos

Onde o inverno petrifica as aves

Vejo o límpido acenar dos rochedos

Lá longe ...junto aos eucaliptos

Onde os corvos crucitam lamúrias de guerra

E as plantas se imobilizam num devaneio de fim de tarde.

 

Todos os dias nos despedimos de nós

A cada hora que escorre pela nossa pele

Há uma noite fria na face da saudade

Há uma agonia que se movimenta pelas nossas veias

Como uma praia que vai dar a todos os caminhos

E pergunto à palavra que mancha a minha imaginação

Se há regresso ao tempo mudo das árvores

Se há um sonho que nasce por detrás do véu da aurora

Ou se por entre os meus frágeis dedos

Nasce uma estátua Inerte e velada...gasta

Pelo dia que tranquilamente se alimenta de mim.

Música

Mostrem-me o dia

O instante em que adormeci no ciúme das medusas

Mostrem-me o segredo

Que mora no fundo dos jardins

A humidade do medo

O fundo de um lago sem sombras

Mostrem-me os ossos cansados da ausência

A geada transparente do luar

O ventre inflamado das águas

A luz que tomba de cada olhar

O grito da primavera.

 

Parte de mim escuta o sibilar das correntes

Parte de noite está prenhe de noite e de vento

Parte de mim adormece dentro da fantasia das pedras

Enquanto os astros se erguem

E a poeira trespassa a boca sombria dos segredos

Eu emudeço

Embalado pela música dos búzios...

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