A cadeira da filosofia - #1 - como surge a liberdade
Heidegger disse que é no isolamento que o ser humano se revela na sua angústia mais autêntica. A solidão não é fuga, é enfrentamento, o mais seguro dos abismos. Nela o homem deixa de se esconder por trás dos papéis que o mundo lhe impõe e encara o que realmente é, sem máscaras, sem distracções, é nesse silêncio que a existência se torna insuportavelmente clara. O ser percebe que está lançado no mundo sem garantias, sem sentido prévio, e que precisa construir o próprio significado a partir do nada. Heidegger chamava a isso de “ser para a morte”, a consciência de que tudo é finito e por isso mesmo urgente. Fugimos da solidão porque ela nos obriga a olhar de frente o vazio que tentamos preencher com barulho, rotinas, e outro tipo de actividades, mas é nesse vazio que nasce a lucidez, e é dessa lucidez que surge a liberdade.