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folhasdeluar

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A esfera...

Pinto o meu rasto com cores equívocas. Construo a minha distância com janelas fechadas. Os meus apelos não têm eco. Os meus vitrais não captam a luz. Inquieto-me com os limites. Não gosto de limites. Mas gosto de prolongar os meus silêncios. Sou a esfera. Tenho a angústia das arestas. O desapego do tempo. E pouco tenho a dizer. Acolho-me a uma braseira de gentes. Aqueço-me em grandes frios. Sei que a realidade é uma vertigem. Uma impossibilidade. Uma breve abertura ao juízo final. E se o meu peso puder iluminar alguma parte do mundo...que seja. Que seja aquele rio sem margens. O rio que não sabe de si. O rio que nunca desagua. O rio que se estende sem essência nem limites. Mas que vive....na violenta correnteza das águas.

 

Corro paralelo ao universo. Sou um universo paralelo ao universo. E corro. E salto muros. E vivo no limiar onde estou e não estou. Nesse limbo que vive em mim e onde eu também vivo. Como se sonhasse os dias. Como se não contasse histórias. Como se fossem as histórias que me contassem as suas histórias. Todo o poeta vive na esquizofrenia dos versos. Eu vivo na esquizofrenia dos versos. Falo com as palavras. Falo com o desentendimento da realidade. E espero o fim do dia. O fim da chuva. A dissolução da minha semelhança...com a semelhança dos outros. Não me quero dissolver nos outros. Nem espero que alguém se dissolva em mim. Mas carrego a minha indistinção como se fosse um fardo. Leve e frágil. Atento e discreto. Como se vivesse num outro estado. Numa outra alquimia...onde renasço...todos os dias... da profundeza das searas.

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