A hora da sesta...
Com o meu punhal de vento
Traço riscos na lembrança dos instantes
Cintila a transparência luzidia da água
As árvores choram os galhos feitos cruz
Do meu corpo erguem-se fétidos anseios
Tudo apodrece na algazarra silente
De um rebanho sem margem para ancorar
Os pinheiros estendem-se
Pelas íngremes faces das encostas
E as cigarras vestem-se de santas
Equilibrando-se nas bordas do amor
E cantam...sofregamente
Na véspera da tristeza
No cumprido desmaiar de um milagre
Oculta-se a tristeza dos juncos batidos pelo vento
No comprimento do rio
Os barcos marcam o compasso dos gemidos
E o sol... mostrando-se ao dia que passa
É uma flauta de pastor a marcar a hora da sesta...