Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

folhasdeluar

folhasdeluar

A invisível vibração do silêncio

Descarto-me da vida dos outros. Sou apenas a testemunha de mim próprio. E se por vezes sinto um aperto no peito...é apenas porque preciso de caminhar ao longo da minha imensa margem. Do meu rio. Da minha fome de ser invisível. Atraem-me os enormes mistério do céu. Pasmo com a liberdade dos peixes. Sou o precário íman da vida. Não me custava nada ter preconceitos. Mas não os tenho. Vivo o antagonismo das coisas como quem observa a lua... e não a quer ver. Verdadeiro ou falso? Tudo é verdadeiro. Tudo é falso. Ou, é apenas o mundo a atirar-nos como uma bola de encontro à vida?

 

Embrulho-me neste novelo de mundo e fantasia. Sei que a paz vive na negação do tempo. Não quero saber do tempo. O tempo sou eu e tudo o que tenho ainda para viver. Sou o paradoxo que vive da brancura das ondas. Tudo me leva e trás como quem se sente livre. Abocanhar essa metástase de frio melancólico. Isso era o que eu queria. E depois...sorrir como quem se atreve a inventar um asfalto. Ou um barco negro. Ou uma maresia. Ou simplesmente gosta de estar ali a escutar as ilusões.

 

É preciso estender a mão. Resgatar a vida. Limpar a sujidade dos corpos. E mais importante ainda...saber quem nos leva ao cadafalso. Gostava de ser um inconsciente a viver na dicotomia da vida. Ou ser uma interminável queda. Acontece que sou o meu ferrolho. E o meu prazer é não explicar nada do que sou. Como se eu fosse outra coisa qualquer... a passear na tarde ressequida da minha imaginação.

 

Não tenho mesmo qualquer noção da minha inconsciência. Não tenho um centro. Não tenho uma aresta. Não tenho qualquer geometria. Sou a invisível vibração do silêncio. Mas acabo sempre convencido que a matemática é o eixo da roda da Vida.