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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

A secura das horas

Sabemos que o chão nos comerá a alma

Cedo percebemos como são duras as mentiras

Que jorram das cidades.

 

Regressamos ao tempo das pedras nocturnas

Onde residem os anseios do sangue

Habitamos na velocidade confusa das aves

Infundimos respeito aos espelhos

O vento consola-nos a glacial inundação dos desejos

Temos um peito feito com poeira e poesia

Das coisas mais espessas não sabemos

A vida é uma febre que se nos agarra ao corpo

Mas há um consolo...um olhar velado

Um falar de pássaro assustado

Que alumia a esperança na perdição de nós.

 

Na sede de todos os inícios vivem as palavras

Inesgotáveis palavras

Que se despenham dos pedestais das estátuas

Como pedras susceptíveis de nos partirem o coração

Dizendo-nos que o coração se inunda com travessias nocturnas

E que todos os dias são nascentes

Que correm pelo espaço que nos veste a alma.

 

Em todos os peitos há desejos impossíveis

Claridades angustiantes

Lâmpadas fotogénicas que confundimos

Com o piar sucessivo das estações.

 

No interior da terra a noite é surda

Lá ...o homem é um simples absoluto

E o tempo ferve na secura indiscriminada das horas

Até que os nossos dedos se toquem

E sintam a água da chuva que nos corre pelas faces

Como se fôssemos dois grandes muros desencontrados

Agrestes penedias...perdidos

Na imensa persistência das marés.

 

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