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folhasdeluar

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A unidade abstracta do tempo.

Temos medo das pedras do tempo. Temos medo das tempestades e de perder o espaço onde vivemos. Embrulhados em trapos de marca olhamos de soslaio quem passa. Achamos que temos as chaves do mundo....mas saem-nos berros dos olhos e gritos abafados do coração. Poupamos dinheiro... para que nos sobre quando morrermos. Estamos sempre a um passo de qualquer coisa. De um mau hábito. De uma dor de dentes. De um vício qualquer que nos distraia de nós. Acabamos o dia com o sono fabricado por benzodiazepinas. Estudamos o comportamento extraordinário dos loucos. Querendo sempre acreditar que o que nos salva é a nossa fé numa qualquer imagem de um santo sofredor.

 

Roemos o tempo. Roemos a importância das coisas e a das coisas sem importância. Compramos a felicidade ao quilo. E porque não sabemos porque certas coisas nos fazem felizes. Alinhamos esses momentos como quem empilha tijolos numa parede. Construímos não sabemos o quê...até atingirmos o vórtice do frio. Ao mesmo tempo temos que ser santos...ou recusarmos a vida de santos. Temos que encostar o nariz à vida e tentar perceber as suas cores. E temos que ser campeões e pais e mães e a soma de todos os nossos seres interiores. Preocupamo-nos com a verbalidade. Queremos ser entendidos. Queremos que percebam que o fogo é parte de nós. Outras vezes queremos vinganças. Abrimos caminho através das raivas que nos tornam irracionais. E caímos na tenebrosa noite dos suplícios. Onde nos encontramos com o que faz de nós palavras e onde nos alojamos na íntima parte que resta de nós.

 

A chuva esmaga-se na janela. O jazz de Ella Fitzgerald esmaga-se na alma. A compreensão dos coisas percorre-me o corpo. O sufoco da realidade vive num segundo plano. Por tudo isto...nós... somos a unidade abstracta do tempo.

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