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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

A veia dos poemas

Há no vazio de cada hora um sonho liquefeito

Há uma pureza que flutua numa ausência de gestos

Rostos de pedra muda a entoar cânticos obscenos

Metálico cerrar de dentes

Lume afoito a consumir a imaginação dos dias

Em nós a luz tornou-se um símbolo

Um tilintar de cores...um sorver de sóis

Oxalá eu escutasse essa música do nada

E percorresse a geometria dos girassóis

Com as minhas juras de outono

 

Viajo pelas linhas ofuscantes do pensamento

Há tanto vento no tempo

E os corvos…

Essas aves de bico ensimesmado

Que crocitam eternidades de pedra

Não sentem o frio que se avista pela janela infinita

E são completamente alheios

À liquefação dos homens

 

Nunca pousei a cabeça...nem por um instante

Na amurada de um navio

Nunca sorvi essa sensação de boiar

Numa imensa constelação de férreas águas

Fecho os olhos...

Agarro-me à pegajosa teia do sol

E pressinto que por dentro de mim

Há um manancial de palavras

A engrossar a lírica veia dos poemas...

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