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folhasdeluar

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Água fresca...

Abordo os caminhos que importa percorrer. Sou o lago sem fundo. Escorrego na ternura e despenho-me num abismo de esquecimento. Mas na verdade... não sei o que quero esquecer. Acompanha-me desde sempre uma fome de primavera. Um fastio de noite insana aconchega-se na minha boca. Cresce-me água em cada recanto do olhar. No corpo sinto a absurda enfermidade dos dias. Um fraco azul de céu inquieto agarra-se aos meus dedos. Toco-lhe. Como se inspirasse o sorriso de flores selvagens. Não sei que limpidez procuro. Não sei que ideias cairão da minha fronte. Acres cascatas de filmes a preto e branco. Tranquilas palavras que nada dizem. Tudo se confunde numa escorregadia noite. Quem nunca mendigou um sorriso...nunca acreditou que se pode amar o fugitivo instante. O brilho ácido do amor. A casa onde as trevas se desvendam. Cujas janelas são o pão que alimenta a nossa carência de espaço. O nosso espaço. Aquele em que só nós tocamos. Aquele onde nos conhecemos. Inteiros. Insanos. Cheio de límpidas palavras. Cheio das coisas que nos escondem. Cheio das coisas que não escondemos. Bilha onde aprisionamos...a fresca água da nossa indiferença. Da nossa inquietação. Do nosso desconhecer de tudo o que nos compõe.

 

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