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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Ainda há pessoas na cidade....

I

Ainda há pessoas na cidade...

Delas se alimenta o cru das ruas

Dos olhares que são espadas em riste

Da miragem que solidifica em cada face

Do perfeito timbre da folhagem

Da perfeita areia da tristeza

 

Ainda há pessoas na cidade...

Bebendo a clara sombra de cada noite

Descendo o tempo impuro de cada dia

Procurando o mais profundo de cada céu

Ajoelhando no tédio imenso de cada açoite

 

Ainda há pessoas na cidade...

Inquietas como doces labaredas

Sepultadas em canteiros solitários

Despidas em meio do deserto

Que resta dos sonhos que caíram

 

Ainda há pessoas na cidade...

Ofegantes como fantasmas coloridos

Floridas como hastes verdejantes

Dormindo o sono solto dos sentidos

Rodando em círculos concêntricos ….sofridos!

 

II

Ainda há pessoas na cidade....

Inclinadas para dentro de si

Procurando a pedra e o atalho

Procurando o fósforo onde arder

 

Ainda há pessoas na cidade...

Que são sítios de passagem

Procurando mapas e vielas

Procurando abrir o destino

Com estratégias de órfãos sufocados

 

Ainda há pessoas na cidade...

Que vivem inclinadas para a ferida aberta

Escavando na carne e na pedra

Esperando o exacto momento de fechar os olhos

Esperando a exacta fonte onde fixar os olhos

 

Ainda há pessoas na cidade...

Voltando as costas às ruas sem saída

Copiando para dentro de si os astros

Sobrando-lhes o lume que recebem do sol

Emparedados em vasilhas transparentes

 

Ainda há pessoas na cidade....

Projectos de morte e luz

Mistérios de face enxuta

Crescendo em segredo

Ensimesmadas em segredos

Pupilas dilatadas enxergando o escuro

E tão belas que por vezes....

As levamos dentro de nós!

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