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folhasdeluar

A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

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A minha poesia, é a minha incompreensão das coisas.

Ao longe...uma vela branca

Ao longe... uma vela branca

Desliza pela espessura das palavras

O vento empurra essa vela

Que voga na tona das coisas que calamos

E pergunta-nos pelas noites

Em que nos esquecemos de esvaziar as tempestades

Pelos passos imperfeitos

Que caminhavam pelos degraus do sonho

E pelos rumos desencontrados

Que flutuam na configuração das ondas

 

Tivesse eu nascido agora

E todas as aves construiriam cantos de alegria

Tivesse eu uma parede de alabastro

E todas as vozes assomariam à minha janela

 

Na sombra da abóbada

Construo a minha outra sombra

O meu outro fantasma

A minha outra paisagem

Todos os meus gestos são espelhos atmosféricos

Vidrados... na face da minha face ausente

Todas as letras procuram

a confluência das linhas do teu rosto

E em breve serão despojos

a tombar na ruína das manhãs

 

Edifico-te como se fosses uma árvore de cobre

Ramos de prata...

Sílica de tempo a corroer a solidão dos pássaros

Sonho de esquina perdida no tempo

Que nos cavalga os olhos

E mesmo que o cardo da bota

Pise a rotação dos dias

Que os pássaros abandonem as cidades

E o tempo se despeça de nós

Deixaremos a nossa marca...intacta...

Na superfície lisa da saudade...

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