Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

folhasdeluar

folhasdeluar

Apoteose

Amo as tempestades. Gosto de me sentar na falésia e aspirar os insultos do mar. Admiro a embriaguez despretensiosa das ondas. O pânico das rochas a desabarem. O escuro violento da nuvens. A terrível ofensa dos relâmpagos a cortarem um céu de chumbo. Gosto da grandiosidade dos elementos. Da fúria incontida do vento. Tudo isto se parece comigo. Tudo isto é um prolongamento de mim. Tudo isto é o eco de um cansaço. Um crepitar de sentimentos. Uma absorção de força e grandiosidade. Tudo isto representa o tumulto impreciso de um céu. De um futuro. De uma paz. Porque tudo isto é o estilhaço espectacular da vida.

 

Espreito o salto dramático do mundo. Sempre achei que não há racionalidade nas ilusões. Sempre achei que a vida era uma grande orquestra cheia de fífias. Um debate carnal. Uma ilusória transitoriedade. Uma apoteose de electricidade e água. Onde sentimos que está sempre eminente a nossa saída de cena.

 

Somos o abandono de deus. A espécie petulante. A irreverência racional e... irracional também. Oferecemos o nosso sono à noite. O nosso corpo aos dias. E o nosso drama a um público que não nos vê.

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.