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folhasdeluar

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As noites da Fonte da Telha

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(foto tirada na net)

Ali. A areia. Um barco. A noite. A conversa. Ali. O futuro. A filosofia sem futuro. O futuro sem filosofia. Ali. A escuridão. A procura da verdade. O agónico fascínio do sonho. Ali. Pequenos. Ali. Insignificantes. Inquietos. Falando entre si num ritual de ignorância. Jovens. Ainda sem destino. Curiosos. Rejeitando todas as insignificâncias. Somos a vida. Éramos a vida. Sentíamos a selvática alegria da liberdade. Éramos selvagens defensores da liberdade. Não tínhamos teorias. Só sabíamos viver. Por dentro da cada um de nós...uma procura. Um paradoxo. Uma vontade. Não sentíamos as mutilações do tempo. Éramos puros. Éramos espaço. Éramos cristalinos. Pensávamos que Deus podia ser uma pedra. Uma fonte. Uma fulguração de nadas. Um revoltear de vazios. Ali sentados na areia...discutíamos a significação dos significados. Do significado de ali estarmos. Do significado de vivermos. Do fresco da maresia. Havia uma teoria de caos para cada alegria. Um abrir de braços para cada eternidade. Não sabíamos nada. Ainda hoje não sabemos. Éramos cómicos. Frágeis seres em desequilíbrio. Uns. Outros...procurando equilibrar-se. Ríamos em caóticas gargalhadas. Afagávamos o cristal da noite com abraços. Abraçávamos a noite. A noite plena. Bela. Inteira. O amanhã era uma náusea. Uma má-disposição.O hoje é que é importante. Abismos? Não havia! As horas eram lentas. A humidade da noite era a âncora que ali nos segurava. Juntos. Como irmãos segurando o mesmo sacrário. E tínhamos atitudes de mudar o mundo. Queríamos moldá-lo. Éramos barristas de fantasia. Arqueólogos de futuros. Excessivos e descrentes. Esperando o nascer do sol. Sentados na areia. Vogando em aladas neblinas. Erguíamos a alma. E vogávamos na manhã que nascia

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