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folhasdeluar

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As vozes

Estamos solitários no meio da multidão. A multidão está solitária em volta de nós. Rodeia-nos o vazio. A mistura de vozes. Os passos. Fluímos na rua numa ordem contrariada. Achamos o desequilíbrio dos dias em cada esquina. Temos a noção que facilmente caímos no esquecimento. Somos vitrais coloridos e opacos. Somos balanças. Vivemos na insuficiência de termos o que não nos faz falta. Excessivos. Perfeitamente convertidos ao inútil. Sentamo-nos comodamente a olhar os pássaros que esvoaçam por dentro da nossa inveja. Egocêntricos. Apoiamo-nos nas barreiras que erguemos. A nossa segurança depende sempre da nossa aflição. Somos indefiníveis. Confiamos no sonho como quem quer ser outro. Constantemente sonhamos em ser outro. Em ser o outro. Sem sabermos que esse outro também é um sonho. E também sonha ser ainda outro.

 

As vozes. Côncavas. Reflexivas. Encobrem sempre uma nostalgia. Uma aspiração. Algo entre o absoluto e a acção. As vozes tocam em tudo. As vozes são nuvens encobertas. Vivem na miragem dos peixes. E na leitura dos poemas. Não têm principio nem fim. Nem folhas. Nem céu. Nem nada que se pareça com o rebentar das luzes. São apenas vozes. Umas tranquilas. Outras distantes. Outras diletantes. E tal como a côr de uma qualquer aguarela nos toca. Também a nossa voz se aconchega ao âmago de uma imagem captada na sombra de um riacho.

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