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folhasdeluar

Poesia

folhasdeluar

Poesia

Ausência

Já não sou a caneta

Que te descreve nos meandros da noite

Já não sou o fruto comestível

Que assolava o teu corpo

Minguei num tempo de fogo

Um tempo baço e devorador

Sou como uma sombra

Enterrada no orvalho da memória

Mas trago ainda comigo as cores das mariposas

Ainda sinto o aroma da tua pele

A planar na maresia das tardes

Dentro de mim ainda adormece

O teu cheiro de estonteante verdura

Ainda sou o marinheiro

Que vencia o desvario dos teus mares

Da minha máscara

Ainda escorre a tinta húmida da saudade

Ainda devoro o tempo

Em nos deitávamos na beleza do orvalho

Hoje...imobilizo a minha memória

No recanto sombrio da tua ausência

Hoje...o meu tempo é áspero

O meu dia é uma catedral vazia de fé

Porque tu foste procurar a ânfora

Onde te pudesses esconder de mim.

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