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folhasdeluar

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Breves sentimentos

Ás vezes somos representações de nós. Ás vezes medimos forças com o impossível. Aguentamos temporais. Forjamos forças. Temos a compleição atlética das nossas ruínas. Fazemos planos enquanto os dias se desconjuntam. Calafetamos as memórias. Saímos desfeitos de cada temporal que nos assola. E sabemos que a única coisa que podemos fazer é caminhar. Não ligamos à morte. Somos insensíveis adornos de uma terra fértil. Ás vezes receamos a falta de sentimentos. Outras vezes somos excessivamente sentimentais. Procuramos explicações para o improviso da vida. Um dia discorreremos sobre o que nos conduziu ao cadafalso. E descobriremos...um vago rasgo de esperança a brilhar no nosso poço mais fundo.

 

É mesmo assim. Haveremos de sentir um dia a utilidade dos gestos. Engoliremos os nossos esforços para não nos deixarmos arrastar pela nossa coragem. Sobreviveremos a tudo o que se aproximar de nós. Somos os raros gladiadores que não entendem a arena. Quem nos conduz? Onde estão as nossas certezas? Haverá verdade maior que perceber a inutilidade de uma verdade? Aproximem-se...dizemos. Toquem-nos...dizemos. Mas por favor...não nos apertem a garganta...nem perturbem a nossa timidez de seres erráticos.

 

E se um sentimento nos arrastar para a inexorabilidade da dor...havemos de saltar de contentes. Porque não há queixas que cheguem para todos. Porque não há incêndios que não se apaguem. Porque aprendemos que a nossa alma vive na brevidade do sentir.