Cada amor uma ternura
Inventar um nevoeiro
Descobrir uma tempestade
As olheiras de Deus a soçobrar
Esse Deus que dorme enquanto caímos na vertical
Enquanto desafiamos os cataclismos
E gelamos…
Gelamos no torpor de uma agonia
Cada glaciar é um desafio
Cada frio uma estrada de ferro
Cada amor uma ternura
E medito na falsa filosofia de tempo
Acaricio os grãos que perco e que ganho
Acordo a sobrevoar os promontórios do medo
Sei que existe a época das dores
E que virá a cavalgar o tempo
Com a precisão de uma seta
Só não sei se compreendo
O que cada rosto me dá.