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folhasdeluar

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Cada dia um mundo

Estamos no centro de tudo. Do eco dos nossos passos. Das palavras e das máscaras. E até temos na mão a imortalidade. Basta acreditar que a temos ali...à mão. Todos os dias nos habituamos a uma nova conversão. Todos os dias sentimos a mística de um saber que não sabemos. Todos os dias habitamos os olhos secos dos gatos. As árvores. Os jardins. As horas. E todas as coisas em que nos empenhamos. Procuramos reflexos de nós. Rostos de nós. Espelhos de nós. Se nos acontece alguma coisa...sabemos que passámos na rua errada. Na hora errada. Na realidade errada. Como se tivéssemos atravessado uma névoa de tempo sem sentido.

 

Observo a linha que delimita o horizonte. É ali que estou. É ali que me pareço comigo. É ali que encontro todas as possibilidades de fuga. Um olhar me basta. Um peal me chega. Uma porta carcomida é tudo quanto me resta. Um reflexo é a minha casa. E a minha oportunidade de descobrir um lugar onde possa afastar as perguntas que não quero fazer.

 

A sombra toca o tempo. As cidades são lavradas por olhares fixos. Cada dia um mundo. Cada pretexto uma claridade. E até é possível que de máscaras opacas saiam rostos brancos. Lívidos. Como uma página em flor. Florescentes tempos que nos desfiguram os rostos. Insaciados desejos que nos possuem. Despojos de versos e de intensos verões. Onde depositámos as nossas bandeiras brancas. Agora...somos a cal e o bailado. Somos a tarde iludida...pela profunda delicadeza da vida.

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