Cada palavra
Sigo cada palavra como um sangue que jorra
Já não sei quantos séculos estou a esconjurar
É pesado este incêndio que ateio em mim
Este estremecimento situado
Entre o sarcasmo e a abundância de arestas
Não nego as minhas ressacas
Nem apago a morte que carrego
E se os meus lábios beijam as tuas mãos
Também as nuvens desenham sobrevivências
E as lavas do tempo eclodem nos gestos
De onde se escapam minúsculas flores
Que mancham os campos que desconheço
Porque as minhas incandescentes feridas
Me toldam o discernimento.