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folhasdeluar

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Calafrio...

Cravo os olhos na distância. Aspiro o gelo do cosmos. Escorro pela levitação de mim. E fico...a ver correr os instantes. Não sei do que esqueci. Perdi os olhos no tempo. Resta-me o espanto e a asfixia. Resta-me o doloroso sorriso de uma flor morta. E uma lívida fonte a escorrer sangue. Para onde vou? Vou para onde nada seja sério. Vou para onde vivem os perfumes delicados. Que saram feridas e deixam antever rios no sol. Depois...pego nas minhas pontas...e sorrio profundamente. Como quem acorda do descompasso dos dias. Ou alguém cujo pensamento enrubesceu. E na sua incandescência se sumiu. Como uma luz de gelo. Como um éter descompassado. Ou como alguém que se apaga...no coração de um calafrio.

 

Nasce um sol enregelado. Brusco. Cresce como um hálito a solidão. E sinto que somos infinitos. E sinto que somos astrais. E sinto que somos conchas fechadas em glaciares. Sei que qualquer coisa nos pode dar felicidade. Conheço o eterno significado do riso. A sapiente impaciência do coração. O instante em que o chão se ergue...e nos leva...como uma música. Ou como uns imortais versos. Conheço o instante em que nos encontramos...com a glacial hora. Com o precioso espectáculo...de uma paisagem só nossa. Que vemos... do nosso camarim aveludado. Com a vibração de quem sente. Só e apenas...os lábios da vida!

 

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