Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

folhasdeluar

Poesia

folhasdeluar

Poesia

Carvão baço

Sei que não volto a ti

Sei que não volto a colidir com o teu apocalipse

Rasgarei o chão coberto de fagulhas tresloucadas

Apagarei o brilho que rasga a noite

E a água surgirá como uma chama esgazeada

Recolher-me -ei numa desgastada luz

Como uma visão descalça

Sobre uma língua

Que galopa num profundo espasmo.

 

Soubesses tu como me afundo

Num instante de silêncio

Como convoco uma adocicada melodia

Como me cubro de chamas

Soubesses tu como danço descalço

Sobre a perturbante visão do teu corpo

Como me encandeiam os teus olhos acesos

Como as tuas chamas

Que flutuam num momento de eternidade

Me seduzem

Como se eu soubesse

Que o teu voltar é apenas um turvo momento

Um carvão baço

Algo indefinível...

Como o renascimento de um sono profundo

Sobre um chão abrasado