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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Cidade

Percorro a cidade e afasto-me das colinas que a vida usa para esconder as recordações

A brisa é uma máscara que o fascínio expõe aos meus olhos...

A voz rastejante do vento

Acre tilintar de nadas... grandes nuvens...

O chão é um quadro negro... uma mescla de passos e música

Todos os sopros são caminhos sem norte...

Braços angelicais a abraçaram guitarras tristes

De longe vêm os tempos sujos... o mundo mancha o deslizar das coisas...

Sinos de embalar exalam a nossa imperenidade

Alguém se baba pelas esquinas... a morte está a leste...

A rota existe na recordação.

 

Anjos emancipados... manchados de sangue...

Imploram pela costa acobreada do entardecer

Querem que escutemos os punhais que varrem o ar...

E as liliputianas mensagens que repicam na sombra

Como distantes abraços de ridículas ervas-vida...

Arquejantes... como folhas trespassadas por relâmpagos

Os nossos corpos  afastam-se... cada vez mais... sempre mais...

Como a luz...

Ou como fragmentos de areia espalhados pelo universo!

 

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