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folhasdeluar

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Cidade de pó.

Cidade de pó. Cidade de cadafalsos. Cidade de últimas memórias. Cidade de apelos e de vozes profundas. Onde a resignação dos dias explode em soporíferos. Onde as razões se fecham em vencidos protestos. E o fénico dos hálitos enjoa na vertigem dos passos. Cidade de chuva e de resignação. Solene eco de uma partitura estagnada. E as avenidas são espaços de ilimitados anseios. Sangue e fé. Desdém de corpos. Frieza de rostos. Beleza de dolorosa fachada. Há um bailado sem fim nas cidades. Um prestar de contas. Uma anfíbia vontade de navegar. Pelos olhos. Pelos sentimentos. Pela insana fome de vergar o destino. Ai cidade. Lírica cidade. Meu eco redentor. Meu bailado. Minha vontade de ser outro. Minha exaltação de liberdade.

 

 

Alastram por mim os acordes de um tempo vago. Itinerante melodia de rotas sem destino. Sôfrego calcar da vida. Em cada passo. Em cada palavra. Em cada momento transformado em maresia. Consumição de mim. Passado de que me ausentei. Ríspida circulação sanguínea. Que me atravessa as carnes. Que me trespassa em vórtices de segundos. E me transforma...em nada. E me divide em tudo. E passo a ser o dia..que não ignora....todas as possibilidades do que já fui.

 

 

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