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folhasdeluar

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Claro-escuro

Olho a luz que entra por esta nesga de janela. Olho os pássaros que emergem em nuvens de liberdade. E sinto. A alegria do mundo. O perfume dos campos. A surpreendente variedade dos sentimentos. Daqui vejo o impagável sentido da vida. As sombras e os sorrisos das plantas. O vento ameno que perpassa pelos vidros trás consigo a simplicidade dos sorrisos. E descubro que em tudo há sorrisos. No sol que nasce mesmo aqui em frente. No claro-escuro das folhas que ondulam na laranjeira. No sabor transparente das coisas que vislumbro dentro de mim. A minha lucidez diz-me que não deixamos marcas de nós. Diz-me que mesmo que as deixemos não as poderemos ver. E que isso é o mesmo que as não deixar. A minha lucidez diz-me que tudo é verdadeiro. Que a folhas caem em janeiro. Que as marés são maiores no inverno. Que o tempo pode ser uma sumptuosa festa. Que ser sério é uma ironia. Que levar as coisas a sério é uma ironia ainda maior. Que o que conta é escorregar pelos absurdos da vida como se eles não existissem. E que nos devemos alegrar com a chuva e com a profundidade do Universo. Que o que conta é sermos universos. Instáveis e sólidos. Que o que conta é cobrirmo-nos com a película da amizade. E saber que o sol que nos aquece é o mesmo que aquece os outros. Que o conta é saber que não há razão nenhuma em termos razão. Que não precisamos da razão. E que todas as coisas são janelas por onde nos espreitamos. É por isso que somos tão raros. É por isso que não devemos ser tão infelizes. A infelicidade não nos faz falta.

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