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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Como é fácil viver

Como é fácil viver. Como é fácil fechar os olhos. Como é fácil descobrir o interminável caminho do que é insignificante. É fácil caminhar por dentro da alma. Fazer ruir essas portas de prisão. Simular que tudo é nada. Que a vida é um livro. Mesquinho. Atabalhoado. E do nosso mais profundo subterrâneo emerge uma força. Um significado. Uma banalidade. É fácil acordar e esquecer a imensa usura dos dias. O desabafo do que não queres ouvir. O desabafo do que não desabafa. Do que se transfigura em silêncios. Sentir. O frenesim da solidão e do que é misterioso. Sentir que o espanto é como um fel. Um tremendo sentimento. Sentir o frágil ser que nos separa da vida. Que vive dentro de nós. A insignificância de tudo o que fazemos. De tudo o que dizemos. Todos os instantes são apenas um. Todos os dias são apenas um. Somos a significação de algo que não sabemos. Somos o absorto desabar do destino. Astutos alguns. Agrestes outros. É preciso perceber as regras da loucura. A loucura. Esse estado anestesiado da realidade. Essa mesura de alegria inconsciente. Atrás de nós está outra coisa. Dentro de nós está outra coisa. Escondida em nós está outra coisa. Qual coisa? Desconhecemos! Mas é fácil viver. É fácil deixar-se entranhar pela luz. É fácil sentir que a nossa alma se levanta quando não nos curvamos. É fácil conhecer o nosso drama. E coabitar com as nossas desilusões. Porque somos minúsculos. Somos detalhes. Somos impacientes. Somos respeitáveis. Por isso nada melhor que nós. Nada melhor que aceitar a nossa incongruência. Nada melhor que sentir que o céu está muito longe. E que a nossa solidão tem o peso da vida.

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