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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Cordão umbilical

Abre-se o cordão que nos ata à luz atarefada da manhã

Oníricas veias abrem-se ao leme dos tempos esquecidos

Os ventos recortam-se por dentro das memórias

As janelas abrem-se para as feridas do peito

Agarramos na espuma que ondula no niilismo das horas

Cortamos a direito por dentro da maresia

E crescemos... medramos... na insensatez que nos encanta

E vogamos dentro de um beijo terno que nos mata o fogo

Os deuses abusaram de nós... o dia aparece de repente

Vem adormecer a nossa indiferença que mastiga o medo

Na penumbra a nossa boca cresce... o olfacto torna-se um segredo

Os dedos abrigam-se dentro de outras mãos

Somos crianças acesas... a imitar velas acesas...

Abertos à indecisão de sermos fel e peso e barco

Aqui e ali misturamo-nos com a errância das ruas

Esperamos a vinda das flores que agonizaram no inverno

Embarcamos na chuva... na tumba... no amadurecer dos desertos

Cobrimos a cara com soluços de arestas nuas

Vulcão e pele de eternas lutas... esperamos milagres de vulcões solícitos

Que estúpida é a dor do vento que se disfarça de leme e mar

Iluminando a escura porta que se abre para a nossa solidão.

 

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