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folhasdeluar

folhasdeluar

Da mesma forma que as orquídeas vestem os gestos tocantes e graciosos

Não existia em si mais que um rosto lavado por restos de resignação
Bebia de um trago a sua renuncia a um corpo desgastado pelas avenidas
Que eram como furtivas almofadas onde reclinava a cabeça
A sua mágoa inquieta descia pelas folhas de tardes desmaiadas
Que se estendiam sobre velhas despedidas vestidas por uma graciosa melancolia
Da mesma forma que as orquídeas vestem os gestos tocantes e graciosos
Imaculado era o seu destino...gravada estava a sua sina num anel de feito de agulhas
Todos os mistérios se aproximavam...autoritários e anónimos...
Como se as rosas os consolassem com o seu perfume...
Era então claro aos seus olhos
Que as ondas eram apenas um chegar desesperado à praia
Onde embalavam o seu desconsolo num vaivém que chora por um ombro
Um ombro onde possa descansar os seus olhos puros de filho das palavras
Dessas palavras que contêm todos os sonhos e todos os desejos
Que contêm todos os paraísos e todos os lumes que enxugam as lágrimas
Que contêm todas as histórias que as lareiras escutam enquanto as chamas estalam
E que depois enviam pelas esquinas que falam de alegrias cheias de dias suaves
Cheias de paraísos onde a volúpia se detém numa vela carregada de horizontes
E todas as loucuras cobrem a terra enegrecida
Como um acabar de mundo cujo mar é o infinito plantado sob chuva encantada!