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folhasdeluar

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Desejos e reflexos

 

Em cada quarto um subtil amanhecer. Um circo. Um verso escarlate. Uma densa imaterialidade. Uma harmonia diletante. Um bafo de serpente. Em cada filosofia uma ressurreição. Uma paleta de cores terráqueas. Um fogo estrangulado. Sacrifico a minha imobilidade a um mórbido desejo de ser leve e sem forma. Tento olhar a dicotomia dos mistérios. A materialização da saliva faz-me pensar nas fragilidades da adolescência. Quando era adolescente queria aprender a delicadeza dos momentos. A morte era um fugaz reflexo de uma impossibilidade. Estou alerta. A consumir a minha breve realidade. Abro-me aos dias e às praças e às ruas e a tudo o que detesto. Deixo cair a minha mensagem de tela em branco. Corro em direcção ao amanhecer. Mais uma manhã de relâmpagos e de jogos. Deixo os meus sinais. Dói-me a rudeza do mundo. Posso gritar e andar por caminhos que não conheço. Posso marcar um encontro com o descompasso dos abismos...e aceitar ser uma vaga hora a desafiar perigos.

 

Aqui e além um encolher de ombros. Mais junto ao poente sinto uma fome de ouvir Cohen. “ vazios de tempo os favos do relógio” escreveu Celan...vazios de mim – escrevo eu. Gosto de cheirar as bibliotecas e de sentir as palavras a desfilar nas páginas. Quem me paga as verdades escondidas? E o bafo deformado das probabilidades? As probabilidades. Essas serpentes labirínticas. Essa oníricas formas de consentirmos ser feitos de itinerários. Amamos tudo o que gostamos. Embalsamamos as aparências. E...tranquilamente...tentamos descobrir o significado da fatalidade.