Desprendei-vos desses galhos fatigados de traições...
Nas ruas confluem rumores de corpos que desenham ruídos surdos
Nas marés ondulam filas de gente embaciada....
Que impregna o ar de uma viscosidade inútil.
Pelas clareiras sombrias vogam suspiros de anjos que perguntam pela luz
Os leques abanam...os foguetes explodem...e os risos ficam suspensos....
Tudo pára...o cheiro no ar é de putrefacção...os homens tornam-se líquidos absortos
Dançando suspensos na altivez dos copos estalados
E eu apenas peço que me tragam vinhos e aguardentes..
Que me tragam criaturas para incensar...
Que me tragam velas com dedadas negras
E lânguidas cóleras gulosas pelo indiferente frio
Tirem o lenço do bolso...sentem o vosso cu sobre a laje fria..
Não sujem a vossa alma...vós que tendes a alma cagada...
Vós que transpirais silvos que perpassam pelos cabelos soltos
Vós cujo único intuito é terem a arrogância de um candeeiro preguiçoso...apagado...
Vós que sois os santos que juram sob uma voz viril... obediência à cobardia
Desprendei-vos desses galhos fatigados de traições...
Vacilai sobre a terra calcinada...como quem se enrola numa colcha negra...
Sob o terrível olhar de uma madrugada seminua....