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folhasdeluar

Poesia e cenas do dia-a-dia

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Poesia e cenas do dia-a-dia

Diário de um ecologista

É um prazer falar de algo que  diz respeito mais a vós que viveis em Portugal, do que aos chineses ou habitantes das Ilhas Sandwich; algo sobre a nossa situação, em especial o nosso ambiente ou circunstâncias neste mundo, nestas cidades, o que aí está, se é mesmo necessário  que seja tão ruim como se apresenta, se pode ou não ser melhorado. Tenho andado muito, e em toda a parte, lojas, escritórios fábricas e campos, os habitantes me parecem andar a fazer penitências de mil maneiras extraordinárias. O que ouvi dizer dos brâmanes sentados entre quatro fogos a encarar o sol, ou suspensos de cabeça para baixo sobre as chamas, ou fitando os céus por cima dos ombros «até  que se tornasse impossível retomarem as suas posturas normais, ou morando ao pé de uma árvore algemados para sempre; ou ainda erguendo-se sobre uma perna no alto de pilares - mesmo essas formas de penitência intencional dificilmente são mais inacreditáveis e estarrecedoras do que a cenas que diariamente presencio. Contudo os homens trabalham à sombra de um erro, lançando ao solo para adubo o que têm de melhor. Por uma sina ilusória, vulgarmente chamada necessidade, desgastam-se, como se diz num velho livro, a amontoar tesouros que a traça  e a ferrugem estragarão e que os ladrões hão-de roubar. É uma vida de imbecis, como perceberão ao fim dela, se não antes.

Créditos - Henry David Thoreau - Walden ( adaptado)

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